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Na hora do cafezinho, sou pelo politeísmo

Mais do que o resultado na xícara, me incomoda o que eu tenho chamado de pensamento único do café (visões monolíticas, em geral, não combinam com gastronomia). Por que tantos restaurantes têm que servir Nespresso? Cada vez mais, cozinheiros e empreendedores têm se esmerado em fazer seu pão, seus molhos, suas sobremesas, até mesmo os embutidos. Por que não podem fazer um cafezinho, escolhendo seus grãos e seus métodos de extração/infusão? Vá lá, eu entendo que um estabelecimento que trabalhe com grandes escalas, que não tenha pretensões na cozinha, até recorra ao sistema em busca da regularidade, da normatização. Deve mesmo ser prático. Entretanto, restaurantes mais gastronômicos deveriam zelar melhor por aquilo que apresentam como o encerramento de uma refeição. Não importa se tem barista, se o método é coador ou extração francesa.

06 fevereiro 2013 | 21:05 por luizcamargo

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E agora, para onde vai o café?

O cafezinho derradeiro deveria dizer tanto sobre a casa quanto o pedaço de baguete ou o biscoito de polvilho do couvert. É o último movimento do concerto, o acorde que ficará na memória. O sistema de cápsulas funciona bem domesticamente. É uma alternativa atraente, um objeto de desejo para o lar, sem dúvida. Mas não precisava ter se tornado o padrão nas cozinhas profissionais. Almoçando e jantando fora centenas de vezes por ano, confesso que sinto um desencanto quando o garçom me pergunta: “Ristretto ou descafeinado”? Eu preferia as incertezas de um expresso humanamente imperfeito. Se posso escolher ir a um bistrô ou a um italiano, a um bar ou a um restaurante luxuoso, por que preciso sempre tomar o mesmo café?

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