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Suzana Barelli

Na linguagem do Jerez

Semana Internacional do Jerez oferece cursos e degustações para quem busca desvendar o complexo universo do vinho fortificado espanhol

04 de novembro de 2020 | 05:02 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

Não dá para dizer que entender de Jerez seja fácil, a começar pelo seu nome. Este vinho fortificado espanhol pode ser chamado de Sherry, de Jerez e de Xeres (aqui no Brasil, chamamos de Jerez), é elaborado com a Palomino, uma uva pouco conhecida fora de sua região de origem, e tem o seu diferencial na “flor”, uma camada de leveduras que se forma na barrica de alguns de seus vinhos e os protegem da oxidação.

Mas o convite é que a dificuldade, ao menos no primeiro momento, para entender este vinho não seja uma barreira para o seu consumo. Uma oportunidade é a Semana Internacional do Jerez, que acontece até o dia 8 de novembro em várias cidades do mundo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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São Paulo, que conta com uma legião de seguidores, é um dos lugares com mais eventos nesta semana. Com o especialista Bernardo Pinto como maior idealizador no Brasil (recentemente ele ganhou o prêmio Sherry Week 2018, da Câmara de Comércio de Cádiz e o Consejo Regulador de Jerez, pela melhor iniciativa de promover o Jerez no mundo), o Brasil realiza um número recorde de eventos (veja aqui os destaques). 

Até agora estão listados 43 eventos aqui, um número menor apenas do que na Espanha, que tem 122 eventos (confira em www.sherry.wine/sherryweek). São eventos descomplicados. A proposta é que o consumidor, o especialista, o restaurante, o lojista, ou seja, quem quiser, faça sua ação em torno de uma (ou várias) garrafas de Jerez, coloque no site e, assim, chame atenção para o vinho. Várias importadoras aproveitam a semana para conceder descontos. 

Neste ano, a organização da Sherry Week veio junto com o lançamento do site www.loucosporjerez.com.br, que, com uma linguagem despojada, visa tornar a bebida mais atrativa aos consumidores. Na verdade (e talvez você não acredite), a elaboração de Jerez tem muita lógica.

Há três grandes estilos de Jerez 

O primeiro é formado pelo Fino (o conhecido Tio Pepe é o melhor exemplo) e pelo Manzanilla, que envelhece em barricas (chamadas soleiras) com a proteção da “flor”, e são bem secos. A diferença entre os dois é que o Manzanilla vem da região de SanLúcar de Barrameda, mais perto do mar, e traz uma sensação um pouco mais salgada.

Amontillado. Estilo de Jerez que vivem sob a flor nos seus primeiros anos e quando ela morre (ou seja, as leveduras não têm mais açúcar para consumir), o vinho ganha notas oxidativas, como frutas secas e notas de madeira 

Amontillado. Estilo de Jerez que vivem sob a flor nos seus primeiros anos e quando ela morre (ou seja, as leveduras não têm mais açúcar para consumir), o vinho ganha notas oxidativas, como frutas secas e notas de madeira  Foto: Tony Cenicola/NYT

O segundo grupo traz vinhos mais complexos, a começar pela cor. O amarelo claro do Fino dá lugar a tom mais acastanhado; o teor alcoólico é um pouco mais alto, e o seu envelhecimento define o seu estilo, entre Amontillado, Oloroso e Palo Cortado.

No Oloroso, a fortificação (adição de aguardente vínica) é feita para evitar a formação da “flor” e o vinho envelhece com contato com o oxigênio. Assim, tem mais estrutura, às vezes traz sensação de doçura, pelo álcool e é mais perfumado (oloroso quer dizer perfumado).

Os Amontillados vivem sob a flor nos seus primeiros anos e quando ela morre (ou seja, as leveduras não têm mais açúcar para consumir), o vinho ganha notas oxidativas, como frutas secas e notas de madeira.

O Palo Cortado, por sua vez, é um Jerez que nasce como Amontillado, mas a flor morre, então o vinho é fortificado, e envelhece como um Oloroso. No passado, o capataz (responsável pela vinícola) fazia um risco nestas barricas, daí o seu nome.

Por fim, tem os doces, nos estilos Cream, Pedro Ximenez e Moscatel (é a única categoria em que tem outras uvas, além da Palomino). Aqui, o segredo é equilibrar doçura com acidez. O mundo do Jerez se completa com termos como “bota” para as barricas, e a “venencia”, um instrumento único para tirar o vinho das soleiras e servir. Vale conhecê-lo.

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