Paladar

Bebida

Bebida

Na Rússia de Remmert

16 julho 2009 | 14:56 por redacaopaladar

Maurizio Remmert sempre se paramenta para entrar na sua adega. Não é nenhum ritual de iniciado em confrarias secretas. É para se proteger do frio mesmo.

“Você não quer um agasalho? Tem certeza? Eu sempre coloco quando entro aqui”, ele avisa. Raimunda Maria da Anunciação, sua sub-chef – mais que isso, cúmplice de suas desbravadoras incursões na cozinha – observa tudo de longe, com jeito de quem já viu o patrão vestir o chapelão uma centena de vezes.

Ele tinha um banco de dados que o ajudava a identificar cada garrafa de vinho em sua adega com mais de 1600. “Mas aí eu perdi, uma coisa besta mesmo, deletei sem querer. E pensei ‘quer saber? não vou fazer mais banco de dados de jeito nenhum, eu vou tomar os vinhos‘”, conta o gourmet italiano, de colbacco na cabeça e casacão.

Ficou com água na boca?

Com entusiasmo de criança, Maurizio mostra onde está esse vinho aqui e aquele outro ali. Explica logo de cara que em sua adega “há vinhos para beber” e que não é um grande apreciador de vinhos do Novo Mundo. “Eu quero tomar um vinho, não quero que um vinho me tome. Muitos são agressivos demais, muito alcoolicos”.

Sua adega está repleta de senhores franceses e italianos, preciosidades como o Château Lafite Rothschild 1986, mas ele explica que é comedido, dificilmente sai gastando mais de US$ 100 em uma garrafa. “Esse château…foi uma sorte filha da mãe!”, diz, com um largo sorriso e as mãos agitadas. “Acontece que minha ex-mulher se casou com o dono disso aqui. E é o presente que eles me dão todo ano”, acrescenta, apontando o rótulo.

Tudo muito organizado, o cubículo tem mais que garrafas, tem salames pendurados no teto e caixas de charutos em cima de engradados com grandes vinhos que ainda não foram acomodados nas prateleiras. Alguns, adquiridos na época certa, a bom preço, ele revende a amigos e compra vinhos menos pretensiosos para bebericar no dia a dia. “Às vezes chego aqui e não quero uma garrafa de 1995, quero um 2005, sabe? Às vezes falta um Bardolino, vai”.

Na falta de um bom vinho médio, ele aposenta o chapéu russo e toma cerveja.

Ficou com água na boca?