Paladar

Bebida

Bebida

"Nova filoxera" preocupa vinicultores europeus

Por Isabelle Moreira Lima

12 agosto 2015 | 22:14 por redacaopaladar

Um trio de fungos que ataca videiras tem sido considerado o mal do século por viticultores europeus. Com uma ação devastadora, a esca, ou doença do lenho, é causada por três fungos (Phaeomoniella clamydospora, Phaeoacremonium aleophiluma e Fomitiporia spp.), que se instalam na parte interna da planta causando dois efeitos: a apoplexia, que seca completamente as folhas, cachos e cepas em poucos dias; e a forma lenta, em que as folhas passam a ter manchas marginais descoradas entre as nervuras, os bagos ficam com pontuações necrosadas e surgem necroses brancas e esponjosas no tronco.

FOTO: Divulgação

O resultado é a queda de produção das videiras nos melhores casos ou até sua morte por ressecamento. O pânico dos viticultores tornou-se ainda maior ao perceber que as videiras mais antigas – produtoras de melhor qualidade – são mais suscetíveis à doença.

Ao lado de outras duas doenças – pé preto e eutypa – ela causou prejuízos da ordem de 1 bilhão de euros na França no ano passado, atacando cerca de 100 mil hectares produtivos, de acordo com o Ministério da Agricultura francês e o Instituto Francês do Vinho, e se espalhou pela Espanha e pela Itália.

Tem sido tema de debates no meio e de artigos acadêmicos em universidades dos países produtores, incluindo o Brasil.

Tancredi Biondi Santi, sétima geração da família que comanda a vinícola italiana famosa por seus Brunellos de Montalcino, considera a doença “uma nova filoxera”, em referência à praga que no século 19 devastou plantações europeias, salvas décadas depois com enxerto.

“É um problema recente e de grandes proporções. Estamos sofrendo com isso há quatro, cinco anos, sem saber o que fazer. Não há solução”, disse Biondi Santi em visita a São Paulo.

Sem uma cura descoberta para a doença, resta aos produtores focar na prevenção – evitar grandes feridas na poda e queimar imediatamente o que tiver sido infectado.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 13/8/2015

Ficou com água na boca?