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Heloisa Lupinacci

O extremista da lupulagem contínua

A Júpiter IPA é a primeira cerveja brasileira com lupulagem contínua

30 outubro 2013 | 22:43 por Heloisa Lupinacci

Acaba de ser lançada a primeira cerveja brasileira com lupulagem contínua, a Júpiter IPA, da cervejaria paulistana Júpiter.

Lupulagem é o nome que se dá à adição de lúpulo na cerveja. Quase sempre, quando se faz uma cerveja, coloca-se lúpulo na receita em dois momentos diferentes: uma hora antes de desligar o fogo e um minuto antes de interromper a fervura.

Essas duas adições têm funções diferentes. O lúpulo que vai ficar fervendo por uma hora é o que dá o amargo à cerveja (o calor e a umidade são necessários para transformar o composto químico que dá o traço típico de amargor à bebida). E aquele adicionado no finalzinho serve para aromatizar a bebida – como ele não fica cozinhando, mantém os óleos essenciais, responsáveis por aromas como herbal, cítrico, frutado, etc.

Acontece que o lúpulo caiu no gosto e nunca é suficiente. Sempre dá para colocar mais, mais amargor, mais aromas. Os cervejeiros passaram a adicionar lúpulo também 15 minutos antes de desligar o fogo (para extrair compostos de sabor). Começaram a colocar lúpulo na cerveja já pronta, na fase de maturação (o chamado dry hopping; em inglês, lúpulo é hop). Passaram a fazer o hop tea – preparam um chá de lúpulo e misturam à cerveja pronta.

Ficou com água na boca?

Até que veio um cara, o Sam Calagione, da Dogfish, uma cervejaria cult nos EUA, e levou a coisa ao extremo: inventou essa história de lupulagem contínua em 2001. Ele teve a ideia assistindo a um programa de TV em que um chef dizia que adicionar sal em diferentes momentos do preparo fazia toda a diferença e era muito melhor do que colocar todo o sal de uma vez só.

Fã de Calagione, David Michelson, da Júpiter, decidiu aplicar o método em sua India Pale Ale – o segundo rótulo de sua cervejaria; o primeiro é uma American Pale Ale.

Produzida pela Invicta em Ribeirão Preto, a Júpiter IPA tem adição de lúpulo a cada 45 segundos, durante 60 minutos. A idéia é que com diferentes tempos de fervura do lúpulo é possível extrair tudo o que ele tem.

FOTO: Daniel Teixeira/Estadão

Júpiter IPA

Origem: Ribeirão Preto (SP)

Preço: R$ 14 (310 ml), no Empório Sagarana

Teor: 6,5%

Não poderia ser diferente: o lúpulo é impactante. Expressivo, principalmente no amargo. Tem alguma coisa de herbáceo, uma insinuação de bosque de pinhos, mas os aromas estão um pouco escondidos atrás do amargo.

Aromas: não é o forte da cerveja. O nariz não entrega o que a cerveja traz de amargor.

Sabores: prevalece o amargo, um amargo persistente, principalmente no retrogosto.

Vai bem com: carnes grelhadas, com gosto do carvão. E frango à passarinho.

Ficou com água na boca?