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Le Vin Filosofia

Suzana Barelli

O que 2021 diz sobre o vinho de 2022

A base de consumidores regulares de vinho chegou a 51 milhões de brasileiros em 2021. Isso significa que 36% da nossa população adulta prova vinho ao menos uma vez por mês

28 de janeiro de 2022 | 12:40 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

É fato que o brasileiro se encantou com o vinho na pandemia. Dois relatórios divulgados nesta semana mostram, em números, que a descoberta da bebida de Baco não ficou restrita ao período mais intenso de quarentena e dão pistas de como deve ficar o mercado em 2022.

O primeiro, da consultoria inglesa Wine Intelligence, aponta que a base de consumidores regulares de vinho chegou a 51 milhões de brasileiros em 2021. Isso significa que 36% da nossa população adulta prova vinho ao menos uma vez por mês, patamar semelhante ao do norte-americano. Em 2020, eram 39 milhões de pessoas. A previsão é que novos consumidores continuem chegando ao vinho neste ano.

No ano passado, foram comecializados quase 500 milhões de litros de vinho no Brasil

No ano passado, foram comecializados quase 500 milhões de litros de vinho no Brasil Foto: Carlinhos Muller

O segundo estudo, da Ideal Consulting, revela que o mercado ficou estável no ano passado, com a comercialização de 489,4 milhões de litros de vinho (no Brasil, como não se mede o consumo na ponta do caixa, o dado é a soma do total importado com a venda das vinícolas). Esse volume ficou apenas 2% abaixo dos 501,1 milhões de litros do atípico e aquecido ano de 2020. O consumo per capita ficou em 2,64 litros por habitante por ano (aqui considerado apenas os maiores de 18 anos).

As importações chilenas, que são a principal origem dos vinhos consumidos por aqui, fecharam o ano em queda, enquanto Argentina e Portugal, que ocupam a segunda e a terceira colocação neste ranking, aumentaram sua presença nas gôndolas. Em números, o Chile teve uma redução de 4,6% em volume importado. O crescimento da Argentina foi de 18,4% em volume. De acordo com Felipe Galtaroça, CEO da Ideal, este aumento aconteceu principalmente nos vinhos mais baratos. Nos rótulos portugueses, com alta de 9,7% no volume, o principal propulsor foi o supermercado – em 2021, o País investiu fortemente neste segmento.

A Ideal também aponta um aumento no valor dos vinhos importados. No ano passado, o valor médio deste vinho chegou a US$ 26,4 a caixa de 9 litros (aqui é o preço FOB, antes dos gastos com fretes e impostos), uma alta de 6,6%. O número se traduz nos inevitáveis reajustes de preços para o consumidor.

O ano trouxe uma maior procura pelos espumantes, categoria que mais sofreu com as restrições de festas em 2020. As borbulhas brasileiras tiveram um aumento de 35% na comparação com o ano anterior, enquanto as importadas cresceram 17%. O destaque foi a alta de 23% nos vinhos finos brasileiros, aqueles elaborados com variedades viníferas. A previsão de Galtaroça é que o consumo da produção brasileira continue em alta, até pelos maiores reajustes dos importados.

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