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O que é que tem no seu barril?

Quem já visitou mais de uma cervejaria deve ter percebido um cenário comum a elas: a panela de brassagem, tubulações, uma câmara fria e muitos tanques. Entre os pequenos produtores nacionais, um novo elemento se juntou a essa paisagem nos últimos meses: barris de madeira.

12 dezembro 2012 | 22:00 por robertofonseca

Feitos de carvalho francês, amburana e outras madeiras, antigos hospedeiros de vinho, uísque e cachaça, eles se tornaram laboratórios para experiências cervejeiras. Algumas delas chegarão ao copo dos degustadores em breve; outras, não se sabe. Em algumas fábricas, os barris ficam dentro de câmaras frias.

Primeira vista. Na Wäls, barris de madeira ficam logo na entrada. FOTO: José Felipe Carneiro/Divulgação

Na Cervejaria Wäls, de Belo Horizonte (MG), porém, eles são a primeira visão de quem entra. O conjunto de barris de carvalho francês, que abrigou uísque, hoje é o lar da imperial stout Petroleum, da Dubbel e da Quadruppel, de inspiração belga, e de uma lager com avelãs, entre outras.

Os sabores impressos nas fermentadas durante a estadia nos barris vão de notas de madeira a potente acidez. Segundo José Felipe Carneiro, da Wäls, as cervejas devem ser usadas em blends com versões equivalentes maturadas em tanques de aço inox.

Na Colorado, de Ribeirão Preto (SP), há experiências com um barril de carvalho que era usado para vinho – ele abriga a imperial stout Ithaca – e outros de amburana, pelos quais houve passagem prévia de cachaça. Nestes, estão há um ano a Ithaca e a Imperial IPA Vixnu. Segundo Marcelo Carneiro da Rocha sócio da cervejaria, o caminho dos testes será o blend.

Ficou com água na boca?

Uma das primeiras no Brasil a lançar cervejas maturadas em barris de carvalho – a barley wine Biertruppe 1 e a weizenbock escura St. Michael –, a Bamberg, de Votorantim (SP), também testa o método em uma weizenbock clara e na doppelsticke CaoS. Os barris, de 200 litros cada, foram usados antes para maturação de vinho. Há ainda uma parte da própria Biertruppe que repousa em carvalho desde 2009.

No Paraná, a Way – que já lançou uma lager maturada na amburana – e a Bodebrown também fazem experimentos com barris. Conterrânea da dupla, a Wensky lançará, em edição limitada, uma tripel maturada em barris de grapia por três meses, batizada de Chopin. A cervejaria já tem no mercado uma old ale que passa quatro meses em barris de carvalho americano e é misturada a fração da mesma receita, que ficou em tanques de inox com chips de carvalho francês.

>> Veja todos os textos publicados na edição de 13/12/12 do ‘Paladar’

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