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Os bastidores do concurso de cervejas de Blumenau

Apesar do que todos acreditam, passar o dia todo bebendo cerveja não é tarefa fácil. Veja como foram os três dias do concurso

09 março 2016 | 21:38 por Carolina Oda

Especial para o Estado

De Blumenau

Julgar cervejas é um árduo trabalho. Isso não é ironia. Beber mais de cem cervejas em três dias? Sim. Essa é a realidade do júri do Concurso Brasileiro de Cervejas, mas que está longe de ser tão divertido como parece. “Não tem uma vaga pra mim?” é a primeira pergunta que ouvimos quando alguém descobre que existe essa função. Mas ninguém imagina como pode ser cansativo: é esforço físico e mental, com o peso da responsabilidade de eleger as melhores cervejas do Brasil. 

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Parece fácil, mas não é. Mais de 100 cervejas provadas em três dias de concurso

Parece fácil, mas não é. Mais de 100 cervejas provadas em três dias de concurso Foto: Daniel Zimmerman|Divulgação

O júri tem de ser rigoroso, as cervejas avaliadas já estão à venda, quer dizer, já tem consumidor dando um bom dinheiro por elas. Além disso, as fichas de avaliação vão para as cervejarias, o que acaba sendo uma espécie de consultoria, e, não raramente, um puxão de orelha. O campeonato dá a direção dos holofotes que estão cada vez mais virados para as cervejarias, muda a história de algumas e a velocidade com que seus rótulos saem da prateleiras. 

A preparação começa cedo, já que pela manhã é o melhor horário para degustação, com os sentidos mais limpos. Nada de perfume, batom, cremes e desodorantes cheirosos. Para o café da manhã, café e frutas ácidas não são recomendados, assim como escovar os dentes com pastas tradicionais, pois alteram muito a percepção de paladar. 

As maiores sessões chegam a durar mais de cinco horas. Os intervalos para almoçar, respirar, esticar as pernas são essenciais. No almoço, evita-se pratos fortes, condimentados, picantes, muito salgados. 

Durante o julgamento, água e pão ajudam a limpar as papilas. Quanto mais o tempo passa, mais concentração é necessária para compensar o cansaço e a saturação do paladar. 

 

  Foto: Daniel Zimmerman|Divulgação

Durante as provas, surgem debates, que são enriquecedores, já que cada jurado tem sua bagagem. Entre os estrangeiros, convidados desta vez, o belga é bem rigoroso, experiente com witbier e tripel. O americano, implacável na busca do frescor dos lúpulos de IPAs. E o alemão, altamente qualificado para opinar sobre as Weissbier. 

Ao final de cada dia, um misto da sensação de missão cumprida com dor de cabeça, cansaço e até dor na mão (quem está acostumado a preencher dezenas de fichas à mão?). Para desestressar fazer o quê? Beber uma cerveja no bar mais próximo, claro. Mas só as boas e sem levar o copo ao nariz, por favor.

Os jurados são divididos por mesas e o julgamento é feito por estilos, baseado no guia da Brewers Association, a associação das cervejarias americanas. A rodada pode ser eliminatória, ou final, quando são decididas as medalhas. O júri pode optar por não haver premiação quando as cervejas não tiverem excelência.

 

  Foto: Daniel Zimmerman|Divulgação

As degustações são às cegas, analisando aparência, aroma, sabor e equilíbrio. A partir daí avalia-se se a cerveja está dentro do estilo, quão limpa, sem defeitos – por isso, excelentes cervejas podem ser desclassificadas. A melhor cerveja não é só a de melhor qualidade, mas também a que está mais dentro do estilo declarado. Muitas vezes o problema não está na cerveja, mas no cervejeiro que a inscreveu em categoria errada.

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