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Suzana Barelli

Vinícolas sul-americanas premiadas: onde encontrar os melhores rótulos e os mais acessíveis

Conheça os destaques das bodegas mais votadas pelo The World’s Best Vineyards

30 de setembro de 2021 | 11:45 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

Responda rápido: o que une as vinícolas Zuccardi e Catena Zapata, na Argentina; Montes e Vik, no Chile; e Gárzon, no Uruguai? As cinco são as representantes sul-americanas da seleta lista das dez melhores vinícolas para se visitar de acordo com a The World’s Best Vineyards.  

A vinícola Zuccardi Valle de Uco, localizada na província argentina de Mendoza, lidera novamente em 2021 a lista 

A vinícola Zuccardi Valle de Uco, localizada na província argentina de Mendoza, lidera novamente em 2021 a lista  Foto: Monica Nobrega/Estadão

Mais do que um enoturismo rico em atrações, com visita aos vinhedos, almoços harmonizados e provas de vinho, estas vinícolas se destacam pela qualidade de seus brancos e tintos. 

Confira os destaques de cada uma das cinco vinícolas sul-americanas premiadas:

Zuccardi Valle de Uco

A nova vinícola da família Zuccardi, inaugurada em 2017, conquistou, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar da premiação, que conta com o voto de 600 especialistas, entre sommeliers, jornalistas e formadores de opinião. No vale do Uco, ao sul da cidade da Mendoza, a vinícola impressiona pela quantidade de concreto, a começar com os tanques, todos deste material e em formato de ânforas. O prédio, integrado à paisagem local, tem um restaurante com menu harmonizado e impressionante vista para a Cordilheira dos Andes.

 

O destaque: Inspirado na quantidade de pedras encontradas na região, os Zuccardi batizaram seu vinho premium de Piedra Infinita, também inspirados em um poema do argentino Jorge Enrique Ramponi, de mesmo nome. Os vinhedos de solo calcário dão origem a este Malbec, fermentado com leveduras indígenas e envelhecido em barricas de carvalho, de boa complexidade, notas frutadas e minerais, concentrado e fresco ao mesmo tempo. Custa R$ 2.012, na Grand Cru.

Para conhecer a vinícola: lançada em 1999, a linha Q foi a primeira a ter o nome Zuccardi no rótulo. O Q Malbec é elaborado com uvas de diversas regiões de Mendoza. É frutado, floral e equilibrado. R$ 221, na Grand Cru.

 

Bodega Garzón

O empresário argentino Alejandro Bulgueroni estreou no mundo do vinho em 2008 com a Garzón, um projeto de mais de 250 hectares de vinhedos em Maldonado, Uruguai (atualmente ele tem 12 propriedades vinícolas, em países tão diversos como Argentina e Itália). A vinícola, que ocupa o quarto lugar na lista do The World’s Best Vineyards, impressiona pelo bom gosto, pela vista dos vinhedos e pelo restaurante do chef Francis Mallman, que funciona lá dentro. Os vinhos contam com a consultoria do italiano Alberto Antonini.

Os alimentos assam penduradas em diferentes alturas na cozinha do restaurante de Francis Mallmann na vinícola, com vista para os vinhedo

Os alimentos assam penduradas em diferentes alturas na cozinha do restaurante de Francis Mallmann na vinícola, com vista para os vinhedo Foto: Bodega Garzón

O destaque: Balasto, como é chamado o solo de granito meteorizado onde estão plantados os vinhedos, é também o nome do vinhos premium da Garzón, feito apenas em anos de muita qualidade. Elaborado com Tannat (principalmente), Cabernet Franc, Marselan e Petit vVerdot, sua primeira safra foi em 2015 e atualmente o tinto é lançado na Place de Bordeaux e comercializado pelos negociantes franceses. A safra de 2018 é vendida por R$ 980, na World Wine.

Para conhecer a vinícola: o Uruguai é conhecido pelo Tannat, nos tintos, e vem mostrando que a Albariño é a sua uva branca. A Garzón elabora o vinho com esta uva em diversas linhas, como o Albariño Reserva, por R$ 168, na World Wine.

 

Viña Montes

A vinícola de Aurélio Montes, enólogo de destaque na história dos vinhos chilenos, fica em Apalta, no vale de Colchagua. Com construção integrada à paisagem, segue a harmonia do feng shui e traz experiências para o turista como trekking e piqueniques, sempre com vinhos. 

O destaque: O tinto Montes Alpha M é o grande rótulo da Montes. A safra de 2017 é um blend de Cabernet Sauvignon, com 80%, Cabernet Franc (10%), Petit Verdot (5%) e Merlot (5%), que amadurece por 18 meses em barricas francesas de primeiro uso. Custa R$ 1.230, na Mistral.

Para conhecer a vinícola: o Montes Alpha Cabernet Sauvignon trouxe fama à vinícola e ainda hoje é uma das referências em cabernet chileno. Mas a Montes tem uma linha que busca novidades, batizada de Outer Limits, e um dos destaques é o Syrah. Custam, respectivamente, R$ 237, e R$ 305, na Mistral.

 

Cateza Zapata

Em uma construção inspirada na cultura maia, a sede da Catena Zapata é parada obrigatória para quem visita Mendoza. Rodeada de vinhedos e em formato de pirâmide, a vinícola remete à civilização que ocupou a região antes da chegada dos espanhóis. Lá, o visitante aprende, em degustações, os segredos da malbec, e entende porque a vinícola é referência dos vinhos argentinos de qualidade no Brasil. De beleza particular, ficou em sétimo lugar na votação dos jurados.

Vinícola Catena Zapata, em Mendoza, na Argentina 

Vinícola Catena Zapata, em Mendoza, na Argentina  Foto: Ana Carolina Sacoman/Estadão

O destaque: com a preocupação de conhecer o seu terroir e de elaborar vinhos de pequenas parcelas, é difícil eleger qual o vinho ícone da Catena. Entre os enviados para o Brasil, o Malbec Argentino (R$ 1.140)  é uma grande homenagem à variedade que trouxe reconhecimento à Argentina, nos tintos, e o White Bones, nos brancos, mostra o potencial que a branca chardonnay pode obter (R$ 1.255), na Mistral.

Para conhecer a vinícola: Demorou para a Catena colocar o seu nome em um vinho rosé. A primeira safra do Rosé Catena, de 2020, traz 90% de Malbec, 5% de Syrah e R$ 5% de Grenache, em um vinho fresco e gostoso, por R$ 187. Na linha dos tintos, o Catena Malbec, elaborado apenas com a uva, sai por R$ 193, os dois na Mistral.

 

Viña VIK

Projeto ambicioso, que une vinícola com um pequeno hotel boutique, no vale de Cachapoal, a Viña Vik ocupa o oitavo lugar nesta relação. O projeto do norueguês Alexander Vik começou a nascer em 2006, com a compra de 4,5 mil hectares em Millahue, local que na língua mapuches significa “lugar de ouro”. O projeto arquitetônico, definido em um concurso de arquitetos, tem um design único e sustentável, como um teto em tecido transparente, que permite passar a luz solar. Para os vinhos, foi chamado o enólogo francês Patrick Valette.

A suíte Azulejo da Viña Vik no vale de Colchagua, no Chile

A suíte Azulejo da Viña Vik no vale de Colchagua, no Chile Foto: Viña Vik|Divulgação

O destaque: Vik é também o nome do grande tinto da vinícola, um corte de 67% de Cabernet Sauvignon, 17% de Cabernet Franc, 14% de Carmenère e 2% de Merlot, que passa 23 meses em barricas francesas. Tem a elegância dos grandes Bordeaux, mas de perfil mais frutado. É vendido por R$ 899,91, no Sonoma.

Para conhecer a linha: no projeto de vinícola boutique, a Vik tem poucos rótulos. O seu entrada de gama é o Milla Cala, elaborado com Cabernet Sauvignon, Carmenère, Merlot, Cabernet Franc e Syrah, com 20 meses de barrica e vendido por R$ 269,90, no Sonoma. Tem também um rosé, o La Piu Belle (R$ 785, na Wine.com.br)

 

 

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