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Os ousados irmãos cervejeiros

Samuel e Paulo Cavalcanti, da Bodebrown são responsáveis pela criatividade nas cervejas nacionais

24 outubro 2013 | 01:08 por Redação Paladar

Por Daniel Telles Marques

Especial para o Estado

Os irmãos pernambucanos radicados em Curitiba Samuel e Paulo Cavalcanti, da Bodebrown, são os nomes por trás de um processo de inventividade nas cervejas brasileiras.

Transitando ora pelas invencionices da escola norte-americana, ora pela tradição europeia, eles estão sempre em busca do extremo: misturam ingredientes, colocam sabores no limite do correto, reproduzem e inventam receitas com competência e estimulam como poucos o mercado local de cerveja.

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Resultado: é ao redor dos Cavalcantis que brotam as grandes novidades do mercado. E em torno deles se formou um dos três importantes núcleos da cervejaria nacional (os outros dois estão em Minas Gerais e em São Paulo).

A escola de cervejaria norte-americana – com muito lúpulo e muita ousadia – chegou com força no Paraná e os cervejeiros da região experimentam sem medo, seja na construção de receitas de estilos pouco usuais, seja na incorporação de ingredientes nacionais a receitas tradicionais.

No Mondial de La Bière da França, duas das três medalhas de ouro que o Brasil ganhou neste ano foram para receitas que nasceram em Curitiba: Petroleum (da Wäls, de Belo Horizonte, mas de receita original da curitibana DUM) e Perigosa Imperial IPA (Bodebrown). A terceira medalha foi para a Colorado Ithaca.

Entre os principais nomes da cena paranaense, a DUM*, da Petroleum e da Jan Kubis, que compra os insumos para as cervejas que fazem da Bodebrown. A Cia. Morada Etílica, de André Junqueira, participa constantemente das atividades da cervejaria-escola. Lá se encontra de tudo um pouco da produção da cidade: Pagan, Wäy, DeBora…

Volta e meia, no espaço dos irmãos Cavalcanti há cursos sobre o universo da cerveja – de harmonizações de rótulos locais com comida a brassagens abertas, das quais frequentemente participam cervejeiros vindos de fora do País. É um núcleo forte do que acontece no Estado e, consequentemente, do que é vanguarda no Brasil.

Para avaliar a produção cervejeira paranaense, convidamos Rene Aduan, sommelier de cerveja e professor do Senac, e André Leme, idealizador das receitas da cervejaria Urbana e do Beer Experience, um dos maiores eventos cervejeiros do País.

FOTOS: Divulgação

Pagan Porter

Origem: Brasil

Preço: R$ 13,50 (355 ml) no puromalte.com.br

Teor: 5,8%

Porter tradicional, com sabores tostados e lúpulo discreto. Pecou pelo leve oxidado dos maltes, mas compensou pela boa inserção dos sabores tostados.

Aromas: herbáceo de lúpulo, frutas escuras e tostados de chocolate.

Sabores: amargor alto, doçura média para baixa. Adstringente, leve e frisante. Tem menos corpo que o normal e é refrescante.

Vai bem com: parmesão e charutos.

Double Vienna Morada Etílica

Origem: Brasil

Preço: R$ 12,30 (355 ml) no cervejasocialclube.com.br

Teor: 7,6%

É uma das cervejas mais elogiadas da nova leva paranaense. Estilo pouco usual, é uma amber lager à moda americana.

Aromas: lúpulo floral, maracujá doce e caramelo.

Sabores: malte caramelo e gostos cítricos. Amargor médio para alto, doçura idem. Aveludada e cremosa.

Vai bem com: assado de tira e bolo de cenoura.

BodeBrown Double Perigosa

Origem: Brasil

Teor: 15,1%

É uma Imperial IPA, a mesma Perigosa que a cervejaria faz, mas com muito mais álcool e doçura. Cerveja de poucos goles, será vendida em garrafas de 2 litros, para compartilhar.

Aromas: herbáceo, cítricos, tostados e adocicados.

Sabores: IPA para dias frios. Amargor médio para alto e acidez baixa. Licorosa e extremamente doce.

Vai bem com: banana caramelizada e steak au poivre.

Way Amburana

Origem: Paraná

Preço: R$ 14,90 (310 ml) no clubedomalte.com.br

Teor: 8,4%

Maturada em barris de amburana, é o que muitos dizem ser o embrião da escola brasileira de cerveja, explorando sabores das madeiras usadas na produção de cachaça.

Aromas: ameixa, chocolate, caramelo e madeira.

Sabores: a amburana aparece no gosto. Doçura alta e acidez média. Tem um gosto agradável de caramelo.

Vai bem com: crème brûlée.

* A Bodebrown é tão casa de cervejeiros que nós nos confundimos: a DUM, cervejaria da Petroleum e da Jan Kubis, não nasceu lá como havíamos publicado anteriormente. É lá que eles compram os insumos para as cervejas que fazem, mas a cervejaria surgiu mesmo foi no fogão da casa de de Murilo Foltran, junto com os sócios Luiz Felipe Araújo e Julio Moutinho. (Atualizado em 25/10 às 18h30).

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