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Os vinhos mais cobiçados do mundo

Só a garrafa vale um Gol 1.0 novinho. Uma mísera taça, que normalmente tem uns 125 ml, vale quase oito salários mínimos brasileiros.

29 janeiro 2014 | 23:29 por joseorenstein

Há quem pague fortunas por vinhos no mundo: a garrafa que tem preço de carro é do lote com 12 rótulos de Château Latour à Pomerol 1961, vendido por US$ 167.508 no ano passado, em Londres, num leilão promovido pela Sotheby’s. A caixa de Latour teve preço recorde entre todos os leilões promovidos pela agência britânica em 2013.

A Sotheby’s, que negocia também obras de arte, joias e luxuosos imóveis, divulgou pela primeira vez, recentemente, os números relativos ao mercado de vinho. No total, vendeu US$ 57,9 milhões em leilões.

Mas além das extravagantes cifras alcançadas pelos rótulos mais cobiçados, como o garrafão de três litros de Cheval Blanc 1947 que custou US$ 116.375, os números da Sotheby’s são um bom termômetro de quais são os vinhos mais desejados nesse restrito mercado de luxo global.

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Fluxo de caixas. Foram vendidos US$ 7,2 milhões em Domaine de La Romanée Conti pela Sotheby’s em 2013. FOTO: Divulgação

Em primeiro lugar, figuram as garrafas do mítico Domaine de la Romanée-Conti. Produzido em pequena escala na região da Borgonha, na França, o vinho ficou conhecido no Brasil quando Lula, então na reta final da campanha de 2002, recebeu uma garrafa safra 1997 do seu marqueteiro Duda Mendonça.

Na lista da Sotheby’s, os vinhos do Domaine de La Romanée-Conti foram disparados os mais vendidos em 2013: no total, auferiu-se US$ 7,2 milhões com o valioso líquido borgonhês. O segundo colocado é o Château Lafite, que fez US$ 5,2 milhões em leilões de vinhos. Os Lafite são de Bordeaux, assim como sete entre os dez maiores produtores, como os châteaux Pétrus, Haut-Brion e Mouton Rothschild.

“Cobra-se quanto quiser por um vinho, e quem pode paga. Agora, é preciso um percurso, um refinamento do gosto para aproveitar esses vinhos”, diz a sommelière Daniela Bravin.

Geoenofilia. Os números da Sotheby’s dão ainda um panorama “geopolítico” do mundo do vinho fino: eles confirmam que os grandes rótulos vêm tomando o caminho do Oriente. É que os maiores compradores estão na Ásia, que responde por 62% do volume dos leilões. Entre as dez maiores vendas de 2013, metade foi feita na Sotheby’s de Hong Kong – mas os asiáticos não se limitam à proximidade física: na Sotheby’s de Londres, eles foram responsáveis por metade das compras e na de Nova York, por 30%. “É fato que eles estão inflacionando o mercado, mas existe um preconceito entre quem diz que os asiáticos não entendem nada de vinho”, diz Bravin.

“Depois de um rápido crescimento, a Ásia tornou-se um mercado mais maduro e sofisticado”, diz Duncan Sterling, diretor dos leilões nos Estados Unidos da Sotheby’s. Ele diz que os asiáticos continuam comprando vinhos jovens para revendê-los, mas que agora têm procurado safras mais antigas: “Isso se reflete na alta dos preços de vinhos com mais de dez anos”.

Em uma outra grande agência de leilões, a também britânica Christie’s (que acumulou US$ 75 milhões, ou mais de R$ 180 milhões em 2013 apenas em leilões de vinhos), foi vendida no ano passado, em Hong Kong, a caixa de vinhos, que tem 12 garrafas, mais cara da história: por US$ 476.280, ou mais de R$ 1 milhão, foi arrematado o lote de Romanée-Conti Grand Cru 1978, Côte de Nuits. Ainda na Christie’s, das dez maiores vendas em leilões, sete foram para compradores asiáticos.

Nesse mercado, a América Latina engatinha: comprou 5% das garrafas vendidas em leilões da Sotheby’s. No entanto, Duncan Sterling nota que os brasileiros – de Rio e São Paulo – são os maiores e mais ativos compradores da região.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 30/1/2014

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