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Para ajudar a pagar as contas

Trapistas são proibidos de pedir doações, mas vendem produtos para cobrir suas despesas

15 janeiro 2014 | 21:14 por Redação Paladar

Por Megan Woolhouse

Boston Globe

Em silêncio monástico, na abadia de pedra da pequena cidade de Spencer, no centro do Estado de Massachusetts, monges do mosteiro de St. Joseph construíram uma cervejaria de última geração, com mais de 3 mil metros quadrados e capacidade de produzir 5 milhões de litros anuais ou 13 milhões de garrafas long neck da primeira cerveja trapista dos Estados Unidos– e a primeira fora da Europa (hoje, a fábrica está produzindo um décimo de sua capacidade, ou seja, neste ano, a previsão é produzir 500 mil litros).

“É uma grande mudança para os monges, mas foi uma questão de necessidade”, diz o irmão Isaac Keeley, diretor da cervejaria. “Na nossa pequena economia monástica, os gastos estavam crescendo, precisávamos gerar mais renda.” Até então, eles vendiam roupas e geleias para pagar as contas.

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Trapistas são proibidos de pedir doações, mas vendem produtos para cobrir suas despesas. Nenhum grupo trapista nos EUA já fez cerveja. Na Europa, há mosteiros que se dedicam há séculos à cervejaria e fazem alguns dos rótulos mais premiados.

FOTO: Divulgação

Irmão Damian Carr, abade do mosteiro de Saint Joseph e monge ali há mais de 40 anos, diz que no começo não gostou muito da ideia. “Achava irrealista de uma perspectiva financeira”, diz ele. Temia ainda que o projeto “pusesse ideias loucas” na cabeça dos irmãos. Afinal, levam uma vida tão frugal que só aos domingos comem a geleia que fazem, e só tomam vinho ou cerveja nos grandes feriados religiosos.

Mas a ideia de fazer cerveja foi ganhando força, particularmente depois que um jovem monge, entusiasta de cerveja nos tempos de faculdade, engarrafou sua bebida artesanal para distribuir como brinde na época do Natal. Carr diz que os monges gostaram do produto e a ideia de uma cervejaria foi crescendo.

St. Joseph enviou dois monges à Bélgica para um tour por vários mosteiros cervejeiros e, após meses de considerações, chegou à receita de uma ale simples, baseada numa levedura popular durante séculos entre monges europeus. Ela tem 6,5% de álcool. “É o tipo de ale que monges gostam de beber”, diz irmão Keeley, assinalando com ironia que as pessoas “adoram a ideia de monges cervejeiros”.

Eles não dão detalhes sobre o financiamento do projeto e nem sobre quanto vai custar a cerveja. Mas o preço do equipamento da fábrica pode chegar a dezenas de milhões de dólares, diz Jason Alström, da revista Beer Advocate. Ele considera ambicioso o plano dos monges. “Esperar a venda de mais de 1 milhão de garrafas no ano de lançamento é aposta alta”, diz Alström.

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