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Suzana Barelli

Para brindar 2021

A ideia é destacar os diversos estilos dos espumantes brasileiros, neste ano em que houve forte aumento no consumo dos vinhos nacionais

30 de dezembro de 2020 | 03:00 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

Impossível não escrever sobre espumantes na última semana do ano. Ele é a bebida do Réveillon e dos desejos de que tenhamos bons motivos para brindar um 2021. A ideia é destacar os diversos estilos dos espumantes brasileiros, neste ano em que houve forte aumento no consumo dos vinhos nacionais.

O brut é o estilo mais conhecido e consumido. Mais seco no paladar (mesmo com uma quantidade de até 12 gramas por litro de açúcar), os representantes brasileiros desta categoria são frutados e frescos. Neste ano, as novidades ficaram nos novos rótulos e embalagens, como o Reserva Ouro, da Salton (R$ 59, no Pão de Açúcar), repaginado depois de dez anos. Bons destaques foram o Aurora Pinto Bandeira (R$ 74,97, na Cavesdobrasil.com.br) e o Cave Geisse Brut (R$ 98, na Cave Geisse).

Mas também houve lances ousados dos enólogos. Gostei da Edição Limitada da Chandon Excellence, da safra de 2008. Philippe Mével optou por deixar o vinho amadurecendo por dez anos na garrafa antes de lançá-lo ao mercado, o que aconteceu no final deste ano. O espumante é bem complexo, mas o preço assusta (R$ 500, na Chandon).

O rosé foi um estilo que cresceu o consumo. Com leves notas de frutas vermelhas, trazem cor à festa. Nem sempre são frescos como deveriam (talvez por ficarem mais tempo em contato com as cascas, para ganharem sua cor), e combinam com receitas como quiches e carnes brancas.

Neste ano, uma boa surpresa foi o lançamento do Lírica Rosé, que agora faz par ao sempre bom Lírica Brut. Os dois custam na casa dos R$ 109, mas a Decanter está sem estoque destes espumantes, exemplificando os gargalos da indústria nacional (este ano, com aumento do consumo, faltaram garrafas e caixas de papelão). Disponível e com agradáveis notas frutadas é a recém-lançada versão rosé do espumante LaToller, que o enólogo Luís Henrique Zanini elabora para a cantora Paula Toller (R$ 89,90, na Mistral).

Os espumantes moscatéis continuam crescendo no Brasil, com suas notas aromáticas mais doces e aquele açúcar residual no final. São o par para os panetones de final de ano. Vários ganharam nova embalagem para as festas. Provei recentemente o Terranova, elaborado no Nordeste, um bom representante deste estilo (R$ 45, na Miolo).

Para quem gosta de novidades, vale o registro do Cave de Amadeu Laranja, aquele vinho que ganha cor âmbar por ficar em contato com as peles e engaços das uvas brancas. Lançado este ano, já está sem estoque na vinícola. Os pet-nat, espumantes mais leves, feitos com uma só fermentação, não são necessariamente uma novidade, apesar de menos conhecido do que mereciam. O Vivente continua como um bom cartão de visitas do estilo, vendido na faixa de R$ 140.

Há também aqueles espumantes que chegam ao mercado propositalmente ainda turvos, sem a retirada das leveduras da garrafa. Não vi lançamentos este ano, mas o Sur Lie (R$ 79, na Casa Valduga) continua sendo uma referência deste estilo, assim como Vertigo, da Pizzato (R$ 119,90, na Vineria.com.br).

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