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Perfume brasileiro

Foi por carência de mercado e curiosidade etílica que André Junqueira, da Morada Companhia Etílica, de Curitiba, começou a fazer seu próprio gim. E, como também já fazia cerveja, decidiu temperar o álcool de cereais do gim com lúpulo, além de experimentar, vez ou outra, algum ingrediente brasileiro no destilador que ele próprio desenhou para fazer as biritas – no plural porque, além de gim, produz vodca de cereais, uísque, vinho de jabuticaba e absinto.

06 março 2013 | 23:24 por danielmarques

“Os destilados vendidos no Brasil, assim como as cervejas, acabaram se baseando no mínimo denominador comum de gosto”, explica Junqueira. Por isso, fez questão de pôr sabores pouco usuais em seu gim. Além de lúpulo, cascas de laranja-mimosa entraram no destilador.

No hop gin (gim com lúpulo), os aromas vieram de pastilhas de lúpulos americanos, também usadas nas cervejas. “Essas espécies são boas porque complementam com floral e cítrico o cheiro do cardamomo e dão amargor à bebida.” Junqueira também gosta de brincar com a potência alcoólica. “Fiz gim com 60% de álcool e achei interessante porque abre o aroma dos condimentos”, disse.

+ A nova febre do gim

Ainda em fase de registro no Ministério da Agricultura (Mapa), os gins da Morada Companhia Etílica não estão no mercado, mas podem surgir em drinques ocasionais no restaurante curitibano Lagundri, de acento asiático.

O crítico de vinhos e spirits do Paladar, Luiz Horta, provou o gim curitibano. Achou o nariz muito cítrico e disse que na boca encontrou cardamomo, nota longa de anis-estrelado e zimbro discreto.

“Este é da família de gins bem perfumados, não fica bom no dry martini, mas é bom para fazer gim-tônica e até negroni, se o vermute não for muito cheio de especiarias”, disse Luiz Horta.

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