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É de birra. Mas não só

Carolina Oda

Quem disse que cerveja tem de ser estupidamente gelada?

Antes que você troque o seu copo por uma taça de vinho neste inverno, conheça estilos de cerveja de alto teor alcoólico e que são mais bem aproveitados em temperaturas mais amenas

27 julho 2016 | 21:18 por Carolina Oda

É só dar uma esfriadinha que as pessoas já trocam o copo de cerveja suado por uma taça de vinho – a bebida clichê do frio. Mas essa troca não é necessária se for só uma questão de se esquentar. 

Vai demorar pra gente conseguir se livrar da ideia de que cerveja boa é só aquela estupidamente gelada. Mas as temperaturas baixíssimas mascaram os sabores e aromas, desequilibram o conjunto. Ou seja, é um desperdício tomar uma cerveja muito boa numa temperatura muito baixa.

E existem tantas cervejas incríveis, complexas, cheias de sabor, paga-se em torno de R$ 20 ou R$ 30 por uma garrafa. Por que não aproveitá-la ao máximo? Não é uma regra e depende do estilo. Também não estou querendo teorizar ou complicar a sua degustação. A ideia é ajudar. 

 

  Foto: Thierry Roge|Reuters

Para começar, saiba que o teor alcoólico de uma cerveja pode ser alto como o de um vinho. Barley Wine, Imperial Stout, Belgian Dark Strong Ale têm estrutura e potência para aguentar qualquer inverno. Quanto mais alcoólica e complexa, menos gelada deve ser, podendo chegar à temperatura ambiente no frio. 

Nosso corpo não lida bem com extremos. É uma questão fisiológica, ligada aos nossos receptores da língua e tal. Deixe o café dar uma esfriada e a cerveja sair da linha de supergelada e os sabores ficarão mais claros... Para cerveja, a faixa é dos 3ºC aos 12ºC. 

Não precisa investir em termostato para geladeira ou termômetro. Aprenda a confiar nos seus sentidos. Faça o teste com diversos estilos, de distintas intensidades: prove, logo de cara, a cerveja bem gelada. Deixe no copo e vá provando de tempo em tempo. Atente-se ao sabor e não só à refrescância. Chega uma hora em que os sabores já abriram, estão mais agradáveis. Até que chega também o momento em que passou do ponto, está quente. O exercício é interessante e não vai demorar para você criar esse seu termômetro-mais-personalizado-impossível. Ao lado, deixe um balde com gelo e vá administrando a temperatura. 

O copo de cristal não é só chique e bonito. Por ser finíssimo, ele troca pouca temperatura com o líquido. Já fiz o teste no termômetro: um cristal bom altera 1ºC na cerveja. Já um copo de vidro grosso, num dia de calor, pode fazer a temperatura subir até 5ºC instantaneamente.

Além dos já citados, estilos como Dubbel, Tripel, Quadrupel, Scotch Ale e Imperial Porter são mais bem aproveitados em temperatura amena. A seguir, alguns rótulos para os dias que pedem lareira e cobertor. 

 

  Foto: Divulgação

BACKER TRÊS LOBOS BRAVO

Minas Gerais, R$ 19,90 (355 ml) na Cerveja Store

Premiada Imperial Porter com 9% de teor alcoólico, ela é feita a partir da mistura de uma parte de cerveja nova com outra parte envelhecida em barril de amburana. A madeira – muito usada também no envelhecimento de cachaças e que tem notas que lembram baunilha – é bem presente na bebida. Encorpada e estruturada, a cerveja apresenta também os sabores do malte em evidência, como chocolate e café. 

 

  Foto: Divulgação

BROOKLYN HAND & SEAL

Estados Unidos, R$ 249,90 (750 ml) no Clube do Malte

Uma excelente Barley Wine americana com 13,3% de teor alcoólico, ela é envelhecida durante meses em barril de bourbon Four Roses, que deixa as notas características da madeira, como coco e baunilha, impressas na cerveja. Aveludada e cremosa, tem sabor complexo, com notas frutadas e de caramelo complementando o amadeirado. Atenção: se você bebê-la muito gelada, não vai valer o dinheiro que pagou.

 

  Foto: Divulgação

CHIMAY BLEUE

Bélgica, R$ 29,90 (330 ml) no CluBeer

Uma Belgian Dark Strong Ale, feita em monastério trapista, que é um clássico do mundo cervejeiro. Tem 9% de álcool e apresenta notas de frutas secas e passas e um toque de especiarias em conjunto com as notas de caramelo e chocolate do malte. É uma cerveja safrada, ou seja, tem o ano em que foi feita escrito no rótulo. Uma ideia é comprar uma por ano e, depois, compará-las.

Ficou com água na boca?