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Heloisa Lupinacci

Quem liga para IBU? Escala que mede amargor da cerveja perde importância

Mundo cervejeiro está dando menos valor para a medição de amargor e apostando em cervejas com IBU bem baixo

02 de outubro de 2019 | 16:00 por Heloisa Lupinacci, O Estado de S.Paulo

Lançado em 2013, o rótulo da Invicta 1000 IBU é símbolo de uma época. A mão fechada num soco, marca da cervejaria, tinha os dedos tatuados formando 1000. "A IPA mais amarga do Brasil." 

Parece que o tempo passa como idade de cachorro no mundo cervejeiro, seis anos parecem uma era e de lá para cá muita coisa mudou.

IBU é a sigla para International Bitterness Unit, escala que mede o amargor de cervejas. 

IBU é a sigla para International Bitterness Unit, escala que mede o amargor de cervejas.  Foto: Anna Motta

Todo mundo aprendeu que IBU é uma escala que mede o amargor da bebida (é a sigla para International Bitterness Unit). Que as cervejas convencionais têm poucos IBUs (oito, no caso da Skol) e que o céu é o limite – a 1000 IBU está aí até hoje para provar.

Mas os ventos estão sempre mudando de direção. E agora há uma tendência de diminuir a importância (e o número) do IBU. 

Em junho, a carioca Quatro Graus lançou uma Double IPA sem o IBU no rótulo. Para a marca, a informação, isolada, não ajuda o consumidor. E neste fim de semana que passou (28 de setembro), a Tarantino lançou uma cerveja com 1 IBU na sua festa de aniversário de um ano (leia mais abaixo).

Cerveja Invicta, de IBU 1000

Cerveja Invicta, de IBU 1000 Foto: Invicta

Para o lançamento da cerveja da Tarantino, Alexandre Sigolo, cervejeiro da marca, e Steve Gonzalez, cervejeiro da Stone, entraram numa discussão técnica para ver se dava para cravar que a cerveja tinha zero IBU. Acharam graça cravar no 1, já que no zero era mais complicado e era o primeiro aniversário da cervejaria. 

Do lado de cá, dá para cravar que o número absoluto impresso no rótulo não conta para o bebedor se a cerveja vai ser mais ou menos amarga na boca, porque isso varia com muitos outros fatores (como o dulçor, o corpo, o teor alcoólico…). Na hora do gole, tudo interage e muda a percepção de amargor

Então IBU serve para quê? Para Gonzalez, da Stone, duas coisas. 1. Marketing. 2. Padrão. "E é muito, muito importante! Se uma Stone IPA varia no IBU, a gente para tudo e vai conferir o que pode ter acontecido. Alguma coisa mudou neste lote de lúpulo? Alguma coisa foi alterada na brassagem? A análise de IBU se tornou uma ferramenta muito poderosa para garantir que a cerveja seja sempre a mesma.”

Tarantino + Stone IPA

Preço: R$ 27,63 (473 ml, na hoppi.com.br)

Cerveja de IBU 1 lançada pela Tarantino

Cerveja de IBU 1 lançada pela Tarantino Foto: Cervejaria Tarantino

Colaborativa para comemorar um ano da cervejaria na zona norte de SP, é uma IPA com adição de coco ralado e jambu, a erva popular na cozinha paraense. Tem 1 IBU. Isso porque todo o lúpulo (Amarillo e Mosaic) foi adicionado depois da fervura. Funciona assim: para dar amargor, o lúpulo precisa ser aquecido. Se é adicionado a frio, ele dá aroma e sabor à bebida, mas não amargor. De fato, a cerveja não é amarga. O coco está no primeiro plano, mas bem pouco caricato. Não pense em prestígio, pense em culinária tailandesa. O jambu traz um leve picante ao gole. É uma cerveja refrescante, fácil de beber e que não parece os 6,5% de teor alcoólico que tem. Se preferir tomar direto da fonte, o pint sai R$ 30 (500 ml) no taproom (R. Miguel Nelson Bechara, 316, Limão).

Ficou com água na boca?