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Quem precisa de lei seca?

Ana Paula Boni

16 setembro 2015 | 18:22 por redacaopaladar

Do jeito que estão os preços dos drinques por aqui, ninguém precisa de uma figura como a Carrie Nation, que saía dando machadadas nos bares nos Estados Unidos no começo do século 20, para aderir à Lei Seca. O imposto sobre as bebidas no País ainda nem subiu (o aumento está previsto para dezembro), mas os coquetéis já convidam à sobriedade.

Em alguns restaurantes de São Paulo certos drinques custam o mesmo que pratos (os principais, não as entradas). E aí, não importa se a casa está segurando o preço da comida e subindo a bebida, ou qual é a estratégia em questão. O fato é que pedir drinques em lugares como Modi, Spot e Side tem forte impacto na conta. No Modi, o dry martini e o gim tônica custam R$ 26, mesmo preço do fusili fresco ao ragu de linguiça picante e de duas outras massas. No Spot, o aperol e a costelinha de porco agridoce custam o mesmo, R$ 41; no Side, por R$43 você pode tomar um dry martini ou comer o steak tartare com salada e fritas.

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O negócio do Paladar não é sair denunciando preços altos, embora a gente goste, sim, de defender a boa relação entre o que se gasta e o que se recebe em troca. Nosso objetivo é fazer você comer e beber cada vez melhor, portanto, sempre que o preço vai contra essa ideia, a gente quer entender os motivos e oferecer alternativas.

FOTOS: Felipe Rau/Estadão

Nas últimas duas semanas, levantamos os preços de cinco coquetéis que andam em alta e constatamos enorme variação, como você pode conferir na imagem da capa. Ouvimos donos de restaurantes, consultores, bartenders e até fizemos os mesmos cinco coquetéis para conferir o preço de custo.

E ainda tem os impostos. “A tributação desse tipo de produto é altíssima, chega a ser de 70%”, diz Edgard Bueno da Costa, da Cia. Tradicional do Comércio. “Não acho exagero que os coquetéis saiam de um patamar mínimo de R$ 29.” Na Bráz Trattoria, do grupo, dá para tomar um negroni por R$ 28, só que o aperol spritz custa R$ 40. Se quiser economizar um real, peça a pizza portuguesa, por R$ 39.

É fato que uma garrafa de gim importado como o escocês Hendrick’s pode passar de R$ 200, mas dá para equilibrar os preços, diz o bartender Jean Ponce, que passou cinco anos no D.O.M. e se prepara para abrir um bar de cachaças. “Cobrar R$ 36, R$ 38 por um drinque é absurdo.”

Pena, mas desse jeito, não dá vontade de beber nem depois de rever a série da tevê americana Mad Men, que inspirou o revival dos coquetéis em Nova York a partir de 2007, com seus personagens-publicitários-novaiorquinos dos anos 1960, sempre tomando coquetéis.

/ COLABORARAM JOSE ORENSTEIN E RENATA MESQUITA

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 17/9/2015

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