Paladar

Bebida

Bebida

Ranking da cachaça em destilação

ARTIGO

08 janeiro 2014 | 20:25 por redacaopaladar

Sempre que alguém descobre que sou especialista em cachaça, vem a pergunta: “Qual a melhor cachaça?” Eu saio pela tangente. “Com mais de 4 mil marcas registradas de cachaças no País (segundo dados do IBRAC), fica difícil para mim, que só provei cerca de 500, dizer qual é a melhor. A melhor é sempre a próxima!”

Esse diálogo frequente deixa clara a dificuldade que é para o consumidor começar a explorar a cachaça, saber qual rótulo vale a pena e qual não merece atenção. Conversando com outros especialistas, percebi que muitos tinham a mesma impressão. Resolvemos que iríamos nos reunir regularmente para criar um fórum e unir esforços para fazer uma divulgação eficiente da cachaça como uma bebida com qualidade, capaz de encarar de frente os melhores destilados de qualquer parte do mundo.

Em janeiro de 2013, aconteceu a primeira Cúpula da Cachaça, nome que veio a batizar o grupo formado por 11 especialistas das mais variadas formações – jornalistas, publicitários, pesquisadores, mestres alambiqueiros, cachaciers, sommeliers, chefs de cozinha, empresários, químicos – que têm em comum o amor pela cachaça e o esforço pela valorização da bebida. Não há produtores neste grupo, para que não exista conflito de interesses ou influências comerciais nos posicionamentos da cúpula.

Ficou com água na boca?

A partir do primeiro encontro, ficou clara a importância de fazer um ranking da cachaça, classificadas após degustações às cegas.

Aguardente. Após votação aberta, especialistas da Cúpula da Cachaça vão degustar às cegas e escolher os 50 melhores rótulos do Brasil. FOTO: Tiago Queiroz/Estadão

Um ranking que teria como parâmetro a qualidade da bebida e não a fama da marca, feito por especialistas de todo o País e com votação inicial pública, para garantir maior variedade e abrangência na formação do painel a ser avaliado. Nasceu assim o maior ranking de cachaças jamais feito no Brasil. Um ranking técnico, abrangente e independente.

Parece fácil, mas não é. Este é um trabalho duro, complexo, e que precisa buscar um nível de lisura à prova de questionamentos. Por isso, a necessidade de o grupo ser independente e não visar lucro, somente a valorização da cachaça e a formação de novos consumidores.

O ranking será feito em três fases. A primeira é o voto popular. Qualquer pessoa pode votar no site da Cúpula da Cachaça (www.cupuladacachaca.com.br) em até três marcas. Cada pessoa pode votar só uma vez. É imprescindível que a cachaça votada tenha o devido registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Esta fase começou em 10 de dezembro e vai até domingo. Há mais de 1.000 marcas mencionadas, mas só as 250 mais votadas seguem para a fase seguinte. Essas são as 250 cachaças mais queridas do Brasil.

Na segunda fase, a lista composta por todas as cachaças votadas e aptas a participar do ranking será analisada individualmente por 30 especialistas – os 11 integrantes da Cúpula da Cachaça mais 19 convidados conhecedores da nossa aguardente. Nessa fase, as 60 cachaças mais bem votadas vão para a fase seguinte. São as 60 melhores cachaças do Brasil.

A última fase é a hora da verdade. Os 11 membros da Cúpula e alguns convidados se reunirão no Chalé Macaúva, em Analândia (SP), para avaliar sensorialmente, uma a uma, as 60 marcas finalistas. Serão três dias de degustações às cegas para selecionar as Top 50 e a melhor de todas, a Cachaça do Ano. Não é pouca coisa.

Nesse mesmo período, o grupo realizará a II Cúpula da Cachaça, em que serão discutidas ações para o ano de 2014, quando a cachaça terá grande exposição, por causa da Copa do Mundo. Devemos assegurar que ela seja mostrada ao mundo de forma correta. Precisamos mostrar que a cachaça não só uma bebida: é parte da cultura brasileira e componente fundamental da identidade e da história do País.

* é chef de cozinha, publicitário, consultor e especialista em cachaças há mais de 20 anos.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 9/1/2014

Ficou com água na boca?