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Só de birra

Heloisa Lupinacci

Um arsenal de referências para quem gosta de cerveja

Uma coleção de clássicos - um vídeo, um livro, um bar e um rótulo - para quem quer navegar pelo universo cervejeiro

14 março 2018 | 19:56 por Heloisa Lupinacci

O mundo cervejeiro é obcecado por frescor. A gente quer saber quando o lote foi engarrafado, quando o barril saiu da cervejaria. A cada gole de IPA a busca é pelo frescor do lúpulo. E de fato uma cerveja feita com lúpulo fresco e que saiu da cervejaria ontem para ser engatada hoje no bico do bar que tem câmara fria é uma delícia.

Mas tem muita coisa que envelhece bem. Anos atrás, numa visita a São Paulo, um consultor de uma abadia trapista holandesa que havia visitado a mítica Westvleteren me entregou uma garrafa da cultuada trapista belga e disse: esconda de você mesma e tome daqui a uns dez anos. Escondi, ela segue no fundo do armário. E sempre que olho para ela penso em tudo que fica melhor com o passar do tempo. Cervejas muito potentes, alcoólicas, pedem descanso. 

Michael Jackson.

Michael Jackson. Foto: Beer Hunter

Nesta coluna reuni uma valiosa coleção de clássicos – não engarrafados –, aqueles que ajudam a construir um porto e a navegar a partir dele. Nesse mercado vibrante, com novidades a cada semana, é fácil a gente achar que está vendo a invenção da pólvora. Mas, referência e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

VÍDEO 

The Beer Hunter. No mundo cervejeiro, Michael Jackson não é quem você pensa. Não conheço um bebedor de cerveja que pense primeiro no cantor quando ouve esse nome. Maior referência no assunto, morto em 2007, Michael Jackson publicou uma dezena de livros sobre o assunto, mas seu maior legado está no YouTube. Digite “Beer Hunter Episódio” e aproveite os seis episódios da série de TV dos anos 1990. O equilíbrio de erudição e simpatia tornam o programa irresistível. Referência obrigatória.

LIVRO 

Vinho Versus Cerveja: Uma Comparação Histórica, Tecnológica e Social. A melhor frase sobre a engenhosidade do processo de produção de cerveja está neste livro. “Pise em uvas e em pouco tempo você tem vinho, pise em grãos e no máximo você consegue machucar os pés.” Escrito com humor e muito conhecimento por Charles Bamforth, cientista da alimentação e mestre-cervejeiro, o livro é ideal para quem gosta de beber – tanto faz se fermentado ou destilado, de uva ou cevada...

BAR

Empório Alto dos Pinheiros. Se cerveja fosse livro, o Empório Alto dos Pinheiros, EAP (tel. 3031-4328) seria a maior biblioteca cervejeira da cidade. O bar de Paulo Almeida, que começou tímido, completou dez anos no meio do carnaval. O lugar segue cada vez mais consolidado como o ponto de referência tanto para as pessoas que querem acompanhar as novidades como para as que preferem o conforto dos clássicos. Depois de assistir ao primeiro episódio de The Beer Hunter, vá para lá e peça a Cantillon Gueuze.

Empório Alto de Pinheiros

Empório Alto de Pinheiros Foto: Divulgação

NO COPO 

Cantillon Gueuze. O copo de 150 ml no EAP custa R$ 49. É caro. Se você fizer as contas, equivale a um vinho de R$ 250. Mas, se você fizer a conta de outro jeito, trocar duas IPAs por um copinho de referência vale a pena. Agora olhe que legal como os pontos se unem: Michael Jackson era fã das lambics e falou muito delas ao público norte-americano, que se tornou grande consumidor das cervejas ácidas belgas, que inspiraram o crescimento do gosto por cervejas ácidas. Quantas sours você já tomou neste ano?

Ficou com água na boca?