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Rieslings de diferentes partes do mundo

Riesling de prestígio todo mundo sabe: vem da Alsácia, na França, da Alemanha e da Áustria. Essa branca notável expressa o lugar em que foi produzida – mas será que comporta assim também fora das áreas tradicionais?

27 maio 2015 | 16:03 por redacaopaladar

Por Isabelle Moreira Lima

Vinhos de Riesling são a pura expressão de seu terroir. Em outras palavras, têm a capacidade de transmitir as características do lugar onde foram produzidos. Mas será que a uva mantém a mesma particularidade quando produzida e vinificada fora das regiões tradicionais – Alsácia, na França, Alemanha e Áustria? Foi esta pergunta que motivou esta degustação.

Montamos um painel com vinhos feitos com a Riesling em diferentes partes do mundo. Para deixar a coisa mais divertida, a prova não só foi às cegas (como sempre), mas os degustadores foram desafiados a adivinhar a procedência do vinho. A Riesling vai melhor em regiões mais frias, sendo particularmente famoso o vinho da francesa Alsácia, e da Alemanha e Áustria. Curiosamente no Novo Mundo, no entanto, é produzida também em países de clima quente, como a África do Sul e a Austrália.

FOTO: Reuters

Para completar, chamam a atenção ainda os vinhos produzidos com uvas do estado de Washington, nos EUA.

Uma uva que gera um vinho com aroma de petróleo, para os não iniciados, não parece exatamente sedutora. Mas quem conhece a Riesling sabe que sedutor pode ser pouco para classificar seus melhores vinhos.

Entre seus fãs está Ciro Lilla, da Mistral, para quem é uma das melhores uvas brancas e produz vinhos marcantes, e a crítica inglesa Jancis Robinson. “O Riesling é único. Geralmente leve em álcool, com uma acidez frutada natural muito refrescante, é excepcionalmente bom em expressar um terroir e tem muito potencial de guarda”, afirma a crítica inglesa em seu site, garantindo que um bom Riesling dura até 50 anos.

A sommelière Daniela Bravin, uma aficcionada da uva que traz seu nome tatuado no braço, os especialistas Guilherme Velloso e Marcel Miwa, e eu nos sentamos à mesa no Bravin para degustar os seis vinhos. Confira os resultados da prova.

RIESLING VIEILLES VIGNES 2012 CAVE DE RIBEAUVILLÉ

Fotos: Felipe Rau/Estadão

Origem: Alsácia, França

Preço: R$ 85 na Chez France

Produzido em uma das regiões mais tradicionais para esta uva, o vinho deixou a desejar, por seu aroma inexpressivo e demasiadamente alcoólico. A acidez adequada não conseguiu resolver o problema do sabor diluído. É um vinho desequilibrado.

CHATEAU STE. MICHELLE RIESLING 2013

Origem: Washington State, EUA

Preço: R$ 101, na Winebrands

Com um aroma marcante dos vinhos do novo mundo, este Riesling produzido no Columbia Valley é fácil de se gostar. Exuberante, na boca, tem um sabor adocicado perfeitamente equilibrado pela sua acidez. Fresco e frutado, com notas cítricas, tem 11% de teor alcoólico.

YEALANDS RIESLING

Origem: Nova Zelândia

Preço: R$ 53,39, no Pão de Açúcar

A melhor opção de custo benefício da degustação, este vinho novo mundista é muito equilibrado. No nariz, apresenta aroma típico de borracha. De corpo médio, revela ótima mineralidade. É cítrico e fresco, com toques marcantes de limão.

SELBACH-OSTER RIESLING TROCKEN 2013

Origem: Mosel, Alemanha

Preço: R$ 119,69*, na Vinci (US$ 42,90)

Com marcantes notas florais, apresenta mineralidade – uma expressão quase salgada – e untuosidade excelentes. Na boca, é longo e mostra muitas camadas de sabores. Tem ótima acidez e profundidade. Dos seis vinhos, é o único com

tampa de rolha.

RHEINGAU RIESLING KABINETT TROCKEN 2011 BALTHASAR RESS

Origem: Rheingau, Alemanha

Preço: R$ 119,90 na World Wine

O que mais chamou a atenção neste vinho alemão foi o aroma forte e quase desagradável de leveduras e da estranha combinação floral com aspargo. Na boca, é contundente. Com acidez alta, mostrou-se rude. Faltou elegância.

LEYDA SINGLE VINEYARD NEBLINA RIESLING 2010

Origem: Chile

Preço: R$ 85, na Grand Cru

O exemplar chileno da prova se mostrou um vinho objetivo e preciso, mas pouco complexo. Tem aroma bem típico, com notas frutadas e muita salinidade. Com 13,5% de álcool, tem boas acidez e duração.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 28/5/2015

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