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Só de birra

Heloisa Lupinacci

Roteiro da cerveja paulistana, especial de aniversário

Um bar em cada uma das cinco zonas (Leste, Oeste, Norte, Sul e Centro) para você escolher se quer ficar na sua área mesmo ou quer aproveitar o dia para explorar uma nova região

24 janeiro 2018 | 20:29 por Heloisa Lupinacci

Se o hino não-oficial da cidade exalta a esquina em que funciona um bar que leva o nome de uma cerveja (alguma coisa acontece no meu coração / que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João: onde fica o bar Brahma), o que pode ser mais certeiro do que comemorar o aniversário de São Paulo com um brinde na linha “um chops e dois pastel”?

 

  Foto: Kim Kyung-Hoon|Reuters

Um dos grandes pólos cervejeiros do Brasil hoje, São Paulo (quem mora aqui não fala Sampa, se quiser entregar que não é paulistano é só usar esse apelido aí) impressiona visitantes do mundo inteiro com a oferta cervejeira. Perdi as contas de quantos estrangeiros ligados em cerveja que vi ficarem de queixo caído no Empório Alto dos Pinheiros. Ali você encontra de tudo, do mais recente lançamento da mais nova cervejaria local ao mais clássico rótulo da mais antiga cervejaria do mundo. Mas ninguém precisa de coluna de cerveja para pensar em passar a tarde de hoje no EAP – o bar do Paulo Almeida já virou ponto turístico faz tempo.

Neste aniversário desta cidade querida, escolhi um bar em cada uma das cinco zonas (Leste, Oeste, Norte, Sul e Centro), assim você pode escolher se quer ficar na sua área mesmo ou quer aproveitar o dia para ir explorar uma nova região.

Colaborativas e Comemorativas

Desta vez vou deixar de fora os taprooms de cervejaria – grande novidade de 2017, coisa mais legal que aconteceu nos últimos tempos e que tenho certeza que vai ser um marco na história cervejeira da cidade. Mas não dá pra ignorar que a Trilha e a Dogma, as duas cervejarias que puxaram essa fila e que estão entre as mais inventivas e criativas do cenário atual, fizeram dois rótulos colaborativos e comemorativos que vão estar engatados hoje nos dois taprooms, o da Trilha em Perdizes e o da Dogma em Santa Cecília. 

A Paulicéia Machiatto é uma milk stout, com adição de cacau e café. Fica entre a sobremesa leve e o pingado, meu. Propícia. A Goiaba na Selva é uma brett saison com adição de goiabada e goiaba em diferentes etapas da produção. Mesmo com 7,5%, goiabada e goiaba, é uma cerveja seca, levemente ácida. 

Trilha e Dogma e suas cervejas colaborativas

Trilha e Dogma e suas cervejas colaborativas Foto: Trilha Cervejaria

O preço é igual por ml, mas como os copos nas cervejarias são diferentes. Na Trilha, a Paulicéia custa R$ 16 (225 ml) e a Goiaba na Selva, R$ 22 (310 ml). Na Dogma, as duas custam R$ 25 (350 ml).

Zona Norte

Frangó

Se eu pudesse reescrever a letra de Sampa na versão Revolução Cervejeira, teria dificuldade para achar uma rima. O verso seria: que só quando cruza o largo Nossa Senhora do Ó. Em que parte do corpo alguma coisa teria que acontecer para rimar com Ó? Dou a pauta de presente a todos que forem beber hoje em homenagem à cidade e vou adorar saber as sugestões. O Frangó é o único endereço obrigatório em qualquer roteiro que tenha a pretensão de ser paulistano. Tem mais coisas legais na Zona Norte? Tem, um monte: tem o bar das Velhas Virgens na rua do Horto, tem a Cervejaria Munique no shopping Center Norte. Mas o Frangó é incontornável. Para brindar o feriado com uma boa cerveja belga. De garrafa.

Zona Leste

Armazém 77

Quem não conhece a Penha não pode requerer pedido de título de paulistano honorário – quantos paulistanos nascidos na cidade você conhece? Eu não sou. Mas conheço a Penha e há anos entrei com o pedido. Para resolver essa pendência, pegue o metrô e vá conhecer esse pedaço da cidade no feriado. E uma vez na Penha, a parada é o Armazém 77. São sete torneira e uma vasta carta focadas em cerveja artesanal brasileira. Não tem importadas. E a casa é toda descolada, com comida boa, enfim, passeio resolvido. Metrô Penha, explore o bairro, pausa para comer e beber no Armazém.

Zona Sul

Zur Alten Mühle

Por mais que a Revolução Cervejeira tenha mudado tudo, por mais que tenha a Cervejaria do Gordo, com rótulos próprios no Itaim; o Cão Véio, recém-inaugurado também no Itaim; o Câmara Fria no segundo andar do Original, em Moema, não consigo pensar em ir para a Zona Sul tomar cerveja e não ser o Zur Alten Muhle, com aquele clima bem alemão e a carta dominada por weizen. Fico na Paulaner Munich Lager, com bolinhos de carne, em algum lugar do anos 1980, num clima bem nostálgico, que é a cara dessas datas.

Zona Oeste

São Paulo Tap House

É missão quase impossível escolher só um lugar para esse roteiro paulistano na Zona Oeste. Só o circuito Pinheiros já renderia um pub crawl completo com mais paradas do que qualquer humano aguentaria. São muitos bares, da querida e tradicional Cervejaria Nacional ao relax Toca do Coelho. Quem circula pela região sabe que por essas ruas a gente tropeça em tampinha de cerveja gringa e chuta lata amassada dos últimos lançamentos locais pela sarjeta. Mas se precisa escolher um, um será: as 50 torneiras dedicadas apenas a cervejarias brasileiras é um lugar para passar a tarde explorando a vibrante produção atual. Lembre-se de comer e tomar água, especialmente se não for emendar o feriado.

Centro

O Pescador

Confesso, essa é minha região favorita da cidade, onde morei a maior parte dos anos desde que cheguei. Cada vez mais agitada em termos cervejeiros (Tap Tap, Cerveja a Granel, Lira, Cervejaria Central, sem falar na Dogma), guarda tesouros da velha escola, como o próprio Bar Brahma, o Amigo Leal, o mítico Bar Léo (que segue lotado, passe lá na esquina da Aurora para conferir!). Difícil escolher um, mas nada pode ser mais paulistano, digo mais, mais paulistano do Centro, do que beber n’O Pescador. Em plena Augusta, esse boteco podrinho esconde uma seleção pequena mas certeira de cerveja artesanal para beber à vontade: leve, fácil e nada cara. Não é lindo, não é badalado, é aquela dica local, sabe?

Ficou com água na boca?