Paladar

Bebida

Bebida

Le Vin Filosofia

Suzana Barelli

Seis dicas para acertar no vinho da ceia de Natal

Sugestões de rótulos entre R$ 36,90 a R$ 294 para harmonizar com as receitas clássicas de Natal

16 de dezembro de 2020 | 05:02 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

Certeza que esta ceia de Natal será única. Mais restrita no número de convidados, talvez com transmissão online para unir virtualmente as famílias em volta da mesa, e (faço votos) saborosíssima nas receitas. E aqui entra a harmonização: quando certeira, a combinação de pratos e vinhos torna a experiência da refeição mais prazerosa.

Dicas para acertar no vinho da ceia de Nata

Dicas para acertar no vinho da ceia de Nata Foto: Fernando Sciarra/Estadão

Algumas dicas ajudam na escolha do vinho para a ceia. A primeira é a regra básica da harmonização: pratos e bebidas devem ter o mesmo “peso”. Assim, um prato mais leve, como uma salada, pede um vinho leve. Os Sauvignon Blanc do Chile são um exemplo. Se a receita, pelas festas, for mais incrementada, pode até ter um Sauvignon mais complexo, como o Cool Coast, da Casa Silva (R$ 159,90, na Vinhos do Mundo).

As receitas mais pesadas, por sua vez, pedem um tinto encorpado. Experimente provar o cordeiro com o mesmo Sauvignon Blanc da salada: você só sentirá o sabor da carne. Mas se escolher um Cabernet Sauvignon, um Syrah ou um Malbec, vai se surpreender positivamente, como com o argentino Pyros Syrah (R$ 189, na Zahil). 

A segunda dica para a ceia é prestar muita atenção nos acompanhamentos. Eles têm papel fundamental neste casamento gastronômico e influenciam na escolha do vinho.

O tender vai pedir um branco mais aromático, se o seu molho tiver mel ou frutas. Uvas como Gewurztraminer e Viognier funcionam bem (gosto do Les Élements, R$ 192, na De la Croix).

Um bacalhau com natas casa com um branco mais cremoso, que pode ser o Pizzato Legno (R$ 140, na Vinhos e Vinhos). A farofa, mais sequinha, pode sugerir um espumante, como o Sur Lie (R$ 79,90, na Casa Valduga), para citar alguns exemplos.

A terceira é que o espumante é um coringa e ainda ajuda no brinde. As borbulhas casam com pratos mais gordurosos, como se ajudassem a diluir a gordura da carne de porco, seja no pernil ou no lombo. A mesma regra vale para as frituras. Se a sua ceia tiver bolinhos de bacalhau, entre outras entradinhas fritas e crocantes, um espumante brasileiro combina bem, como o Cave Geisse Brut (R$ 98, na Cave Geisse).

Peru de Natal 

Peru de Natal  Foto: Roberto Seba/Estadão

A quarta dica vem do clássico peru e vale para os demais assados: no forno, eles concentram seu sabor e, assim, pedem vinhos a altura. O peru assado com farofa vai bem com um branco com passagem por barrica. Aqui, o melhor exemplo é a uva Chardonnay, que ganha estrutura e cremosidade com a passagem por carvalho, como o El Enemigo Chardonnay (R$ 212, na Mistral). Pode casar também com tintos mais leves, com menos taninos, como os elaborados com a Pinot Noir ou a Gamay e até a Bonarda, como o Sobrenatural, da Chakana (R$ 83, na La Pastina).

Saber que bacalhau não é um pescado, como dizem os portugueses, e sim bacalhau, é a quinta dica. Na tradição portuguesa, o pescado combina com brancos (eu prefiro os elaborados com a uva Encruzado, como o Somontes, R$ 212, na Premium) e também com os tintos. Há até um tinto chamado Bacalhau exatamente para isso (R$ 294, na Adega Alentejana).

A sexta dica é para a sobremesa. Para o vinho combinar com o doce, a regra é que a doçura da bebida deve ser igual ou maior do que a comida. É por isso que o espumante brut não combina com bolo de casamento. As notas aromáticas do doce passam por cima da bebida. Assim, no panetone, o par ideal é o Moscatel, que as vinícolas brasileiras bem elaboram. Um exemplo é o espumante Monte Paschoal Moscatel (R$ 36,90).

Os vinhos citados são uma sugestão e apontam o estilo que deve harmonizar com cada receita. A partir deste norte, é possível procurar outras referências, em faixas de preço diversas. Aqui, as sugestões variam de R$ 36,90 a R$ 294. Feliz Natal!

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ficou com água na boca?