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Stouts. Para o santo

Domingo, 17 de março, é dia de beber em homenagem a São Patrício. É assim que irlandeses e seus descendentes espalhados pelo mundo celebram o seu padroeiro. E a maneira tradicional de fazer o brinde é com um (bem, eles não costumam parar no primeiro) chope verde.

13 março 2013 | 23:02 por danielmarques

São Patrício viveu na Irlanda no século 5º – foi escravo, pastor de ovelhas, fugiu para a França, onde se fez monge, e voltou para seu país, num 17 de março, para converter os irlandeses ao catolicismo. Por muitos séculos, o dia do santo foi celebrado a seco, com a resignação que pede a quaresma. Os pubs ficavam fechados e era numa ou outra feira (de cachorros a flores) que as pessoas se reuniam para beber cerveja, quando havia.

Enquanto nas terras do santo imperava a secura, do lado de cá do Atlântico, nos Estado Unidos, os descendentes (ou imigrantes) irlandeses enchiam suas canecas e pulavam pelas ruas do país vestidos de verde (Boston, Filadélfia e Nova York têm forte tradição irlandesa) para celebrar a data. Nos anos 1970, a história mudou também na Irlanda, que reconsiderou a resignação e abriu os barris.

A festa ganhou fama e a comemoração se espalhou de Dublin a Pequim (tem festa no The Kerry Hotel) – em Dublin, claro, dura mais: são cinco dias (de 14 a 18 de março). Em São Paulo, a celebração também já entrou para o calendário – confira abaixo os pubs que fazem festa.

Ficou com água na boca?

A cerveja verde é tradição, mas a cor dela poderia ser outra. O santo já foi associado ao azul antes de ter o verde como cor oficial (uns dizem que por causa do trevo, que o santo associava à santíssima trindade, outros, por referências às paisagens naturais da Irlanda e alguns para homenagear a bandeira do país). Ficou o verde. Como por aqui chope verde é raridade, escolhemos um estilo tipicamente irlandês (por tradição ou pela associação da irlandesa Guinness) para a prova da semana – a stout. Não por falta de irlandês, mas por farto conhecimento de causa, convidamos o inglês Ryk Preen (que frequenta pubs desde a adolescência) para opinar sobre as cervejas. Eduardo Asta, infografista do Estadão e cervejeiro caseiro, também participou da prova que não se ateve a nacionalidades ou pureza de estilo. Provamos stouts de vários lugares.

COPOS TOSTADOS 

Dentro do estilo há seis variações, segundo a organização de cervejeiros dos Estados Unidos para padronização de tipos de cerveja, Beer Judge Certification Program (BJCP). Dry stout é seca, amarga e cremosa; sweet stout é parecida com a dry, mas geralmente leva açúcar para intensificar a doçura da bebida; oatmeal stout de bastante corpo e sabor, às vezes discreto, de aveia, grão que também vai na receita; foreign extra stout, difícil de encontrar no Brasil, tem corpo médio, espuma bem cremosa e teor alcoólico mais alto que as três primeiras; american stout, lupulada, amarga e com gosto forte de torrados; e russian imperial stout, a mais complexa do grupo, tem aromas mil, é frutada, agridoce, lupulada e bem alcoólica.

Guinness Especial Export

Origem: Irlanda

Preço: cerca de R$ 25 (330 ml)

Teor: 8%

Copo pint

Clássica, é a stout mais conhecida do mercado. Se na lata parece aguada, na garrafa mostra mais corpo e sabores.

Aromas: Notas de tostado e adocicado.

Vai bem com: Queijos adocicados e picles.

Monk’s Stout

Origem: Bélgica

Preço: cerca de RS 23 (330 ml)

Teor: 5,2%

Copo tulipa

Textura suave e levemente frisante faz querer mais a cada gole. Parece aguada inicialmente, mas o corpo

se mostra no retrogosto.

Aromas: Tostado, biscoito e baunilha. Leve aroma de frutas.

Vai bem com: Carnes vermelhas e tortas de miúdos ou sarapatel.

Marston’s Oyster Stout

Origem: Inglaterra

Preço: cerca de R$ 22 (500 ml)

Teor: 4,5%

Copo pint

Ainda que com defeitos, a cerveja se saiu bem, com aromas equilibrados.

Aromas: Café bem forte, melado e tostado. Um certo toque de maçã verde e metal – uma pena.

Vai bem com: Carne de porco com molhos agridoces (até mesmo com molho de vinho) e comidas rústicas.

Dama Dark Lady

Origem: Brasil

Preço: cerca de R$ 15 (600 ml)

Teor: 5,5%

Copo pint

Para quem gosta de cerveja doce, esta vem a calhar. Corpo leve e aromas pronunciados de melaço e pão.

Aromas: Caramelo, frutas, tostados e até um leve cheiro de condimentos.

Vai bem com: Doces (não muito doces), linguiças defumadas, carne de porco assada e batatas cozidas.

Del Ducato Oatmeal Stout

Origem: Itália

Preço: cerca de R$ 17(330 ml)

Teor: 4,5%

Copo pint

Ao primeiro gole, pode lembrar refrigerante de cola com um gosto de cinza – não se assuste, pode ser bom.

Aromas: Caramelo, cinza, leve cheiro de álcool e vegetal cozido, que desaparece rapidamente.

Vai bem com: Churrasco americano e tartar de carne.

De Molen Hel & Verdoemenis

Origem: Holanda

Preço: cerca de R$ 45 (330 ml)

Teor: 10,2%

Copo tulipa

Cerveja com fortes notas de café e bastante doce. Tem forte presença de chocolate e café nos aromas e na boca.

Aromas: Muito café, chocolate e caramelo.

Sabores: Doce muito forte, com amargor potente no final do gole. Textura licorosa e cremosa.

* Stouts se parecem, mas a repetição do texto da Del Ducado Oatmeal Stout na De Molen Hel & Verdoemis na edição impressa foi falha nossa.

Wäls Petroleum

Origem: Brasil

Preço: cerca de R$ 21 (375 ml)

Teor: 12%

Copo conhaque

Licorosa, muito doce e alcoólica. É uma cerveja difícil, que pede adaptações de sabores (amendoim, vá lá) a cada gole.

Aromas: Ameixa, fortes aromas tostados e melaço tomando o nariz.

Vai bem com: Tâmara, damasco, bolinhas de queijo e outras frituras.

Hook Norton Double Stout

Origem: Inglaterra

Preço: cerca de R$ 22 (500 ml)

Teor: 4,8%

Copo pint

Quase sem corpo e de carbonatação alta com sabores que lembram biscoito, pode desencantar quem procura fidelidade no estilo.

Aromas: Café, biscoito tostado, malte torrado.

Sabores: Amargor e doçura médios, que se equilibram. Acidez alta e gosto de biscoito torrado. Tem textura sedosa e leve.

Vai bem com: É bem flexível, indo bem com queijos suaves a amêndoas.

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