Paladar

Bebida

Bebida

Le Vin Filosofia

Suzana Barelli

Um balanço dos vinhos em 2020

Não há dúvidas de que 2020 foi o ano do vinho no Brasil. Relatório com dados da importação de vinhos de consultoria confirmam as apostas

11 de janeiro de 2021 | 12:52 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

Já escrevi aqui que 2020 foi o ano do vinho no Brasil. O consumo de brancos e, principalmente, de tintos no Brasil superou as melhores expectativas. Com o relatório da Ideal, consultoria que acompanha os dados deste mercado, saindo do forno, acho que vale ponderar alguns pontos deste crescimento.

Números confirmaram o boom da importação de vinhos que marcou 2020

Números confirmaram o boom da importação de vinhos que marcou 2020 Foto: Tony Cenicola

 Os números de dezembro confirmaram o boom da importação que marcou 2020. A compra de vinhos e espumantes no mercado internacional fechou o ano com aumento de 26,5% em volume e 13,6% em valor em relação ao ano de 2019. Ao todo foram 16,8 milhões de caixas de 9 litros importadas - foram 3,5 milhões de caixas de 9 litros a mais que o ano anterior. Isso corresponde a US$ 418,5 milhões de dólares. 

● Os importadores foram à procura de vinhos mais baratos. O valor médio FOB da caixa de 9 litros passou de US$ 27,8, em 2019, para US$ 25, no ano passado. Isso não significa, necessariamente, vinhos mais baratos por aqui, dada a desvalorização da nossa moeda frente ao dólar.

● A Argentina retomou à segunda posição no ranking dos países que mais exportam para o Brasil. No ano anterior, Portugal havia obtido a segunda posição. O crescimento da participação do vinho argentino se deve às importações de rótulos mais baratos. Houve um aumento de mais de 100% na compra de vinhos argentinos com preço até US$ 19, a caixa de 9 litros. O Chile continua firme e forte na liderança.

 

● Sem as festas e comemorações, o consumo de espumantes ficou restrito aos produzidos no Brasil. A importação de champanhe registrou queda de 36,2% no volume, e os espumantes, de 20,1%. O único que cresceu foi o espumante espanhol (leia-se Freixenet).

● Vale notar que o crescimento do consumo de vinho é um efeito da pandemia no Brasil. Dados da consultoria inglesa Wine Intelligence mostram que ao mesmo tempo que o Brasil conquistou mais de 3 milhões de novos consumidores regulares da bebida, a Inglaterra, considerada um mercado maduro para os vinhos, registrou uma queda de consumidores também na casa dos 3 milhões. Aqui, somos considerados consumidores emergentes, com potencial para aumentar a procura pela bebida.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ficou com água na boca?