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Heloisa Lupinacci

Uma casa, seis cervejas e umas latas geladas

Uma história que é um retrato vivo da generosidade da cerveja, com diferentes estilos e um mundo amplo

04 outubro 2017 | 18:13 por Heloisa Lupinacci

Era uma casa muito engraçada, com oito ocupantes, cada um (ou dois) de um canto. Um par de americanos, duas duplas de neo-zelandeses e inglesas. E a minha dupla, eu e mais um neo-zelandês. O cenário era formado pelas florestas e montanhas da Virgínia, que fica na divisão entre o norte e o sul dos Estados Unidos, na costa leste. 

Imagine aquela cena de quebra-cabeças: um rio com leito de pedras, cercado de florestas com as árvores amarelando com a chegada do outono, um urso enorme roubando o mel das abelhas selvagens… Ok, o urso não apareceu. Resultado: sobrou bastante tempo para tomar cerveja.

Amigos e cerveja à beira do rio

Amigos e cerveja à beira do rio Foto: Sara Fox|New York Times

Cada dupla levou dois packs. E essa história está aqui porque os rótulos escolhidos são um retrato vivo da generosidade da cerveja, um mundo amplo. Tem para todo mundo. Os americanos de Delaware eram home-brewers e quem não adivinhar qual marca de cerveja levaram para o fim de semana vai ficar de castigo em casa lendo BeerAdvocate.com. Claro, escolheram dois packs de Dogfish Head, cervejaria mítica que fica em Milton, Delaware. Eles tratam a cervejaria como parte da família, os lançamentos são descritos como “minha nova cerveja favorita” e o Sam… ah, a gente adora o Sam! 

Ficou com água na boca?

Sam Calagione é mito cervejeiro que ganhou neste ano o prêmio James Beard – que condecora personalidades ligadas à cultura gastronômica norte-americana –, na categoria vinho, cerveja e destilados. Na história, apenas outros dois cervejeiros levaram o prêmio, Fritz Maytag, da Anchor, e Garret Oliver, da Brooklyn. Eram exemplos do bebedores de cerveja superenvolvidos, do tipo support your local brewer. Mesmo que seu local brewer seja gigante.

Os dois casais NZ-UK estavam fazendo uma road trip pelo país. Começaram em Colorado e a parada anterior tinha sido New Orleans. Chegaram vidrados em sabores intensos e na New Belgium, cervejaria do Colorado que tinha acabado de lançar a pumpkin ale com jalapeño – combinação perfeita com a comida de New Orleans. Adotaram a New Belgium como cervejaria querida da viagem e a Fat Tire como cerveja-padrão. Nada mal.

Para mim, se estou na Virgínia, a cerveja será da Virgínia. Encontrei uma com lúpulo local, a Blue Mountain Full Nelson, que levei junto com outra cerveja dali, a Virginia Lager. Agora, nesse cenário de natureza exuberante, claro que teve uma caminhada bem longa (hiking, né? Diga ráikin). E a cerveja-sucesso do pós-caminhada qual foi? A Budweiser em lata, bem gelada, que ninguém sabe como foi parar na geladeira da casa. Devidamente hidratados, voltamos aos packs craft locais.

Ficou com água na boca?