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Suzana Barelli

Vinho na lata em alta: provamos 20 marcas

A embalagem alternativa e bem prática é uma tendência no mundo de Baco. Degustação às cegas avaliou tintos, rosés, brancos e espumantes

28 de maio de 2021 | 15:00 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

O vinho em lata está na moda. Ele chegou sorrateiro ao mercado brasileiro, um pouco antes do início da pandemia, com a proposta de ser uma bebida descompromissada e, principalmente, descomplicada. Ser o vinho do carnaval, das baladas, da praia, do futebol, para beber geladinho. A chegada da covid-19, no entanto, mudou os planos dessa categoria. A alta do dólar, por sua vez, tirou os rótulos importados do nosso mercado, ao menos, por enquanto.

Degustação às cegas provou 20 vinhos em lata 

Degustação às cegas provou 20 vinhos em lata  Foto: Alex Silva/Estadão

Assim, o vinho em lata virou a bebida para tomar em casa, sempre bem gelado, para quem quer apenas uma tacinha – as embalagens equivalem a duas taças. Enquanto espera a volta dos encontros sociais, a categoria vem crescendo no consumo doméstico e novos representantes nacionais estão sendo lançados – o mais recente é o da vinícola paulista Góes.

O foco é uma bebida despojada, em embalagens coloridas, alegres, e com mensagens simples e direta nas latas. Raros têm o nome das uvas e, mais raro ainda, a safra. Resultado: degustar esses vinhos é rever conceitos. “Se é para beber na lata, será que precisamos analisar a cor e os aromas?”, pergunta Fábio Lenk, professor de viticultura e enologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia – campus São Roque.

O diferencial destes vinhos deve ser as notas gustativas, que serão percebidas a cada gole pelo consumidor, defende ele. Mesmo assim, a opção foi prová-los às cegas, com as latinhas enroladas em papel alumínio. Servidas geladas nas taças, as amostras foram avaliadas em sua cor, aromas e sabores, pelo próprio Lenk e por Suzana Barelli, colunista de vinhos do Paladar.

Sem compromisso. Em geral são vinhos simples com mais açúcar residual 

Sem compromisso. Em geral são vinhos simples com mais açúcar residual  Foto: Alex Silva/Estadão

No final, o vinho foi também degustado na própria lata. Em alguns casos, deve-se destacar, ele parecia até melhor quando provado direto da latinha, como se a embalagem valorizasse as suas qualidades e escondesse os seus defeitos.

Em geral são vinhos simples e esta é a sua proposta. A grande maioria tem um gás adicionado, às vezes caracterizado como frisante na embalagem, e nem sempre bem integrado à bebida. São também vinhos com mais açúcar residual, aquele docinho, nota que é disfarçada quando o vinho está bem gelado. É, definitivamente, um vinho para provar sem compromisso.

Espumantes 

 

Mysterius Intuição

R$ 35 (270 ml), na guatambuvinhos.com.br

O projeto da vinícola gaúcha Guatambu é classificado como vinho espumante brut prosecco. Tem cor amarelo bem claro, pouco perlage, e notas frutadas, lembrando peras, maças e pêssegos. Conquista pelo seu caráter mais estruturado que lembra um prosecco engarrafado. Tem 11,5% de álcool.

 

Becas Sparkling Fun Rosé

R$ 69, embalagem com quatro unidades (269 ml), na Casa Valduga

Com um rótulo divertido, com uma ovelha negra, o vinho tem coloração rosa bem claro, quase transparente, e muita mousse, como é chamada aquela camada de espuma que se forma ao servir o vinho na taça. No nariz, traz aromas de morango fresco. No paladar, é simples, bem doce, o que esconde o seu amargor, e com a gaseificação evidente. Tem 7% de álcool.

Becas Sparkling Fun Rosé

Becas Sparkling Fun Rosé Foto: Alex Silva/Estadão

 

Rita Sparkling Brut

R$ 19,96 (250 ml), no angeloni.com.br

A vinícola chilena Santa Rita utiliza apenas a uva branca chardonnay, nesse espumante feito pelo método charmat (fermentado em tanques). De cor amarelo bem claro, é levemente frisante e traz notas tostadas, indicando certa oxidação. Mais seco no paladar, traz a sensação de gás bem presente, é pouco persistente e curto. Tem 12% de álcool.

Rita Sparkling Brut

Rita Sparkling Brut Foto: Aelx Silva/Estadão

 

Lovin’ White Wine with Bubbles

R$ 79,60, a embalagem com 4 latas (269 ml), na lovinwine.com.br 

É um vinho branco frisante natural, elaborado pela Casa Perini para a Lovin’, uma start up de vinho em lata. Seus aromas lembram os da uva moscato, mas não há indicação da variedade na embalagem. Corpo leve, com doçura no paladar e um gás no final. Tem 9,5% de álcool.

Lovin’ White Wine with Bubbles

Lovin’ White Wine with Bubbles Foto: Alex Silva/Estadão

 

Becas Sparkling Sweet Moscato

R$ 69, a embalagem com quatro unidades (269 ml), na Casa Valduga

Mais um rótulo da ovelha negra, agora definido como vinho frisante gaseificado branco suave. Tem cor amarelo bem claro, pouco perlage e traz as notas frutadas da moscato bem evidentes, escondendo um toque vegetal. No paladar é doce, percebe-se bem a gaseificação. Tem 7% de álcool.

 

Lovin’ Rosé Wine with Bubble

R$ 79,60, a embalagem com 4 latas (269 ml), na lovinwine.com.br 

De cor rosada bem clara e elaborado pela casa Perini, esse vinho traz notas de morangos tanto nos aromas como no paladar, com um toque de leveduras no final. Frisante, de corpo leve é para aqueles que apreciam uma bebida mais doce. Tem 9,5% de álcool.

 

Brancos 

 

It’s Wine O’Clock Sauvignon Blanc 

R$ 17,53 (250 ml), na wine.com.br

O vinho em lata do e-commerce Wine é elaborado no Chile, com uvas do vale central. Apresenta coloração amarelo palha, com poucas notas aromáticas indicando frutas brancas, e um toque também oxidado. No paladar, é simples e leve, com certa doçura no final. Poderia ter um pouco mais de frescor. Tem 12% de álcool.

It’s Wine O’Clock Sauvignon Blanc 

It’s Wine O’Clock Sauvignon Blanc  Foto: Aelx Silva/Estadão

 

Arya Branco 2020

R$ 19,90 (269 ml), na loja.distillruptive.com 

Um dos poucos vinhos em lata com indicação da safra, é elaborado com consultoria do sommelier Diego Arrebola. Tem cor amarelo bem claro, aromas levemente cítricos e um toque já evoluído. Lembra mais um vinho branco engarrafado, do que um vinho em lata. Apresenta corpo leve, com amargor presente. Tem 11% de álcool.

Arya Branco 2020

Arya Branco 2020 Foto: Alex Silva/Estadão

 

Vibra! Branco 

R$ 16,90 (269 ml), na Evino

O projeto do e-commerce Evino, elaborado pela vinícola Góes, apresenta coloração amarelo palha com reflexos verdeais, com algumas borbulhas. Traz poucos aromas, lembrando morango, mesmo sendo um vinho branco, e no paladar tem notas que lembram tutti-frutti, com acidez mais elevada. Tem 11 % de álcool.

 

Vivant Branco Chardonnay 

R$ 16,99 (269 ml), no Pão de Açúcar 

A chardonnay é a variedade indicada na lata desde vinho de cor amarelo palha, com reflexos verdeais, e seus aromas trazem uma nota de maracujá. No paladar é mais seco, mas com um gás que incomoda um pouco. Tem 11,5% de álcool.

 

Sauv Branco Seco 

R$ 14,90 (269 ml), na Vinícola Góes

A uva híbrida Lorena é a base deste branco, de cor amarelo claro e borbulhas grandes. Traz poucos aromas cítricos. É meio doce no paladar, com boa acidez. Tem 11% de álcool.

Sauv Branco Seco 

Sauv Branco Seco  Foto: Alex Silva/Estadão

 

Rosés 

 

Vibra! Rosé 

R$ 16,90 (269 ml), na Evino

Com uma coloração salmão clara e muito gás, seus aromas levemente frutados lembram tutti-frutti, nota que se acentua muito no paladar. Não tão doce como os demais rosés, mas com o frutado bem marcado. Tem 11% de álcool.

Vibra! Rosé 

Vibra! Rosé  Foto: Alex Silva/Estadão

 

Arya Rosé 2020 

R$ 19,90 (269 ml), na loja.distillruptive.com 

A tinta pinot noir e a branca sauvignon blanc são o blend deste rosado com coloração que lembra casca de cebola e traz notas mais vegetais no aroma. De corpo leve, é levemente doce, o que esconde um pouco o seu amargor. Tem 11% de álcool.

 

Rita Rosé

R$ 19,96 (250 ml), no angeloni.com.br

Rosado da vinícola chilena Santa Rita, de coloração rosada mais escura e com as características de um vinho tranquilo. Traz aromas sutis de frutas vermelhas. No paladar, tem certo amargor e uma acidez pronunciada. Tem 12,5% de álcool.

 

Vivant Rosé Frisante 

R$ 16,99 (269 ml), no Pão de Açúcar 

Elaborado com as uvas chardonnay e pinot noir, tem uma bonita cor rosada, uma nota de fruta vermelha e um quê de oxidado. Leve, apresenta acidez e uma gaseificação bem presente no paladar. Tem 12% de álcool.

 

Tintos 

 

Mysterius Veraz 

R$ 35 (310 ml), na guatambuvinhos.com.br 

De coloração rubi, é um corte de cabernet sauvignon, tempranillo e tannat, da região da Campanha Gaúcha. Tem aromas mais presentes de frutas vermelhas, com destaque para a framboesa, e também de frutas não maduras, algo verde. Entregou mais no paladar, com boa acidez e frescor. Tem 14% de álcool.

 

It’s Wine O’Clock Red Blend 2020

R$ 17,53 ( 250 ml), na wine.com.br

O vinho tinto da Wine também vem de uvas do vale central chileno. Tem cor rubi escura, com reflexos violáceos. Traz notas frutadas, com leve tostado e um toque herbáceo. No paladar, traz a adstringência de um tanino verde. Foi o vinho mais pesado em boca do painel. Tem 12,5% de álcool.

 

Vivant Tinto 

R$ 16,99 (269 ml), no Pão de Açúcar 

De cor rubi escura, é elaborado com cabernet sauvignon e merlot pela gaúcha Quinta Don Bonifácio. Seus aromas lembram frutinhas vermelhas, tipo tutti-frutti. No paladar, traz taninos verdes e falta equilíbrio. Tem 12,5% de álcool.

Vivant Tinto 

Vivant Tinto  Foto: Alex Silva/Estadão

 

Arya Tinto 2020 

R$ 19,90  (269 ml), na loja.distillruptive.com 

O projeto Arya tem a consultoria do sommelier Diego Arrebola. Neste vinho, as uvas francesas pinot noir e merlot e a italiana rebo dão origem a um tinto de poucos aromas frutados, lembrando morango e cerejas. Também tem tanino verde, adstringente, com final docinho, meio tutti-frutti. Tem 12,5% de álcool.

 

Sauv Tinto 

R$ 14,90 (269 ml), na Vinícola Góes

Tinto elaborado apenas com a cabernet sauvignon, traz cor rubi mais concentrada e bem frutado no nariz. No paladar, também traz taninos verdes, maior acidez e mais curto do que os seus aromas pareciam sugerir. Tem 11 % de álcool.

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