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Le Vin Filosofia

Suzana Barelli

Vinho para degustar ou para investir?

Novas plataformas oferecem diferentes modelos de investimento em vinhos; valorização é estimada em 17% ao ano, e é visto como um investimento alternativo de longo prazo

12 de fevereiro de 2022 | 03:00 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

O mercado de investimento em vinhos nunca esteve tão em alta. O índice inglês Liv-ex 100, por exemplo, fechou 2021 com uma valorização de 23% no valor dos vinhos finos no mercado secundário, onde as garrafas são comercializadas na Europa. Apenas para comparar, o índice Nasdaq subiu 21,4% e o Dow Jones, 18,7%, no mesmo período.

Exemplos não faltam de investimentos nos grandes brancos e champanhes e, principalmente, nos tintos, como ativos rentáveis. Não vou citá-los porque aqui não é uma coluna de economia, mas de vinhos. Mas chamo atenção para uma possibilidade que começa a se abrir para o consumidor brasileiro, que é o investimento em vinhos, seja como um colecionador, seja como um investidor.

Garrafas de vinhos franceses no London City Bond 

Garrafas de vinhos franceses no London City Bond  Foto: Oeno

Uma das pioneiras é a Oeno Group que, com sede em Londres, contratou o brasileiro Victor Hugo Cotoski exatamente para viabilizar esta atividade por aqui. Se a empresa já tinha planos de apostar neste mercado, a confirmação veio com o interesse dos brasileiros pelo Liber Pater. Este tinto ícone de Bordeaux, comercializado por £ 35mil a garrafa da safra de 2015, e distribuído com exclusividade pela Oeno, teve algumas garrafas compradas por brasileiros.

Pra lá de exclusivo, o Liber Pater é elaborado em Graves, por Loic Pasquet, e suas uvas vêm de vinhedos plantados em pé franco, sem a proteção do porta-enxerto para a filoxera. Nos sete hectares de vinhedos, há variedades conhecidas, com a cabernet sauvignon e a merlot, e também raras, como castet, lauzet e outras.

A Oeno chega no Brasil primeiro com um modelo de cotas para investir em vinhos na Europa. Em parceria com a brasileira Bloxs, plataforma de investimento coletivo autorizada pela CVM, são comercializadas cotas a partir de R$ 5 mil (o plano é capitar R$ 5 milhões). Caberá a Oeno comprar estes vinhos diretamente das vinícolas europeias e americanas, armazená-los (as garrafas ficarão no London City Bond) e depois vendê-los para restaurantes e hotéis, que já são seus clientes. A valorização destes vinhos é estimada em 17% ao ano, e o vinho é visto como um investimento alternativo de longo prazo, com pelo menos cinco anos.

 “Muitos brasileiros gostariam de investir em vinhos, mas não tinham a facilidade. Muitos me procuram até pela chance de diversificar a moeda, que pode ser em libra, em dólar ou em euro”, afirma Victor Hugo. O plano não para neste fundo, lançado em janeiro de 2022.

A ideia é lançar um novo fundo, ainda neste semestre, com cotas de maior valor, e que dariam direito aos cotistas de participar de um clube com degustações exclusivas, além de acesso a vinhos premiuns – a Oeno tem uma relação de mais de mais de 40 vinícolas exclusivas, entre elas a Liber Pater, de Bordeaux, um dos rótulos mais valorizados desta região francesa.

Casa da Oeno Group em Londres; há também o plano de ter uma loja em São Paulo

Casa da Oeno Group em Londres; há também o plano de ter uma loja em São Paulo Foto: Oeno

Há também o plano de ter uma loja em São Paulo, na qual os clientes podem não apenas comprar os vinhos do portfólio da Oeno, como deixa-los armazenados no local. A previsão é que a loja, que deve ser inaugurada no ano que vem, tenha um estoque de R$ 7 milhões em vinhos e o plano é abrir lojas em 12 cidades, como Veneza, Miami e Lisboa.

Essas lojas abrem espaço para uma maneira de lidar com estes vinhos finos, que funciona muito bem na Europa, onde muitos dos investidores são também colecionadores. Muitos clientes deixam suas garrafas valorizando, sempre em locais refrigerados destas empresas, e a colocam a venda quando avaliam que chegou um bom momento. Desde total, apenas 10%, diz Victor Hugo, acaba consumindo a sua própria garrafa. Muitos têm os vinhos como colecionadores, outros, como investidores. Agora é conferir se estes modelos encontram espaço no consumidor brasileiro.

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