Paladar

Bebida

Bebida

Saca essa rolha

Isabelle Moreira Lima

Vinho sem ritual, de pé na calçada ou no banco da praça

Novas maneiras de descomplicar o hábito de beber vinho não param de aparecer em São Paulo. Confira um roteiro para quem quer 'tirar a gravata do vinho'

08 fevereiro 2017 | 19:31 por Isabelle Moreira Lima

Se você está em busca de vinho sem ritual, está com sorte. Tem gente inventando maneiras de deixar o hábito de consumir a bebida mais corriqueiro e fácil. Não é novo o discurso de querer “tirar a gravata do vinho” – quantas vezes você já ouviu isso? Novas são as estratégias, adotadas por alguns restaurantes, que passam a oferecer minidoses para harmonizar menus longos ou para os que querem beber pouco; e até nas praças, invadidas por wine bikes. Dois exemplos: no domingo, a gigante sul-africana Nederburg leva seus rótulos à praça Benedito Calixto, enquanto Los Mendozitos pedalam a bike até a Praça Buenos Aires, com vinhos e drinques feitos a base da bebida. 

Trailer e bike. Los Mendozitos levam vinhos a praças, praias, shoppings e eventos

Trailer e bike. Los Mendozitos levam vinhos a praças, praias, shoppings e eventos Foto: Divulgação

Se você prefere esquema de boteco, Pinheiros parece o destino ideal, o bairro que melhor trata a bebida sem afetação. Além dos já conhecidos Ovo e Uva (R. Mateus Grou, 286) e Canaille (R. Cristiano Viana, 390), com sua ampla oferta de doses individuais a bons preços, o Vinum Est, da sommelière Anna Rita Zannier, oferece taças a partir de R$ 18. Se você quer beber na calçada, não se acanhe e pegue uma das taças de plástico – elas são durinhas e confortáveis. Se preferir beber à mesa, não deixe de pedir os petiscos. E a melhor dica para o final: cole em Anna Rita para aprender um pouco mais sobre vinhos, de novo, sem frescura.

A ROTA DO VINHO TRANQUILÃO 

TAÇA NA CALÇADA

A sommelière Anna Rita Zannier sonhava em ver as pessoas tratarem o vinho como tratam o chope, sem frescura ou empáfia e, principalmente, sem preocupação. Abriu o bar Vinum Est (R. Ferreira de Araújo, 329, tel. 11 3032-1918), no lado descolado do Baixo Pinheiros, onde, em taças de acrílico, pode-se provar rótulos de todo o mundo até mesmo na calçada durante os fins de semana. Para acompanhar, serve frios cortados à perfeição. Na semana, a casa funciona como escola e para eventos fechados.

MINIDOSE

A sommelière Camila Ciganda notou que muita gente que vai ao La Frontera (R. Cel José Eusébio, 105, Consolação) quer beber, mas resiste em pedir vinho porque tem que voltar ao trabalho depois do almoço. Implementou a minitaça de 125ml. Hoje, são cinco: Bojador branco e tinto (R$ 14) e os tintos Padrão dos Povos, Familia Cecchin, e Funckenhausen (R$ 13). A invenção foi útil também para os que querem harmonizar mais de um prato. O La Frontera também passou a vender garrafas para viagem a preços mais baixos que os da carta.

Projeto Sommelier Itinerante da sommelier Daniela Bravin, que leva suas garrafas para locais onde não há serviço de vinho, do sebo ao litoral. Na foto, a calçada do Conceição Discos, em Santa Cecília. 

Projeto Sommelier Itinerante da sommelier Daniela Bravin, que leva suas garrafas para locais onde não há serviço de vinho, do sebo ao litoral. Na foto, a calçada do Conceição Discos, em Santa Cecília.  Foto: Divulgação

DO SEBO À PRAIA 

Com o projeto Sommelier Itinerante, Daniela Bravin e Cassia Campos já levaram vinho em taças e garrafas do sebo Desculpe a Poeira ao restaurante Taioba, em São Sebastião. São lugares onde normalmente não há serviço de vinho, e elas fazem harmonização com o prato do dia. As duas estarão no dia 18 no Tabuleiro do Acarajé. "Queremos levar o vinho para além do salão do restaurante", diz Daniela. Uma taça do português Covela Rosé sai a R$ 20 (e em todas as edições tem Porto Tônica a R$ 20). Mais em facebook.com/sommelieritinerante.

DE BIKE NA PRAÇA

André Fischer, do Los Mendozitos, começou a vender vinhos em eventos há três anos com um único trailer. Hoje são três, além das bicicletas, dos stands e da loja física no Butantã. Têm até rótulos próprios (três hoje, seis em breve), desenvolvidos sob medida com vinícolas brasileiras – o espumante rosé é da Guatambu e o rosé tranquilo, da Lídio Carraro. “Nosso público é bem jovem e o rosé é o que tem mais apelo”, conta ele, que criou um drinque com rosado e melão, hit do verão. As taças saem a partir de R$ 13 (Torrontés e Bonarda La Pradera). 

Ficou com água na boca?