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Vinhos, cervejas e destilados também podem ser orgânicos

Vinho, cerveja, cachaça, gim, vodca e outras bebidas produzidas com matérias-primas livres de agrotóxicos estão em alta; confira dicas de rótulos nacionais

31 de julho de 2019 | 22:37 por Redação Paladar

A oferta de vinhos tintos, brancos e espumantes produzidos sem agrotóxicos vem aumentando, assim como a de cervejas e destilados nacionais – de cachaça a gim. Confira uma seleção de rótulos brasileiros. 

+ O que são produtos orgânicos? Um guia com tudo o que você precisa saber sobre eles

Vinhos orgânicos

A regra básica para que um vinho seja classificado como orgânico é ser produzido com uvas orgânicas. De resto, as normas variam conforme o país. Alguns aceitam conservante dióxido de enxofre, caso dos europeus; outros vetam sulfitos, como os Estados Unidos.

Mas mesmo vinhos classificados como orgânicos em seus países de origem dificilmente são vendidos aqui como tal. É que para receber o selo orgânico brasileiro, a vinícola estrangeira tem que passar pelo processo de certificação nacional. Quer dizer, poucos enfrentam a burocracia. Então, quem fizer questão de beber orgânico tem que pedir informações ao sommelier, no caso dos restaurantes, ou checar informações no site da importadora ou da loja. 

E, para evitar confusão entre as classificações orgânico, vinho natural e vinho biodinâmico, a dica é a seguinte: no Brasil, vinhos naturais não são necessariamente orgânicos – eles podem ser elaborados a partir de uvas convencionais. No caso dos biodinâmicos, a história é outra: eles são obrigatoriamente produzidos com uvas cultivadas de acordo com os preceitos da agricultura biodinâmica (que é classificada como uma versão mais radical da agricultura orgânica), baseada nas teorias do filósofo austríaco Rudolf Steiner (1891-1925).

Domaine Galévan Paroles de Femme 2015

Origem: Côtes-du-Rhône, França; Preço: R$ 149 na Belle Cave

Um corte de 60% Grenache, 20% Mourvèdre, 10% Cinsault, 10% Carignan, esse Rhône se destaca pela acidez vivaz, que o torna fácil de beber, apesar de seu corpo e do nível de álcool (14%). Produzido pela intrépida Coralie Goumarre, esse orgânico traz aromas complexos que vão da fruta (vermelha bem madura) ao couro. Vai bem com churrasco, caça ou curados e embutidos. 

Domaine Galévan Paroles de Femme 2015

Domaine Galévan Paroles de Femme 2015 Foto: Belle Cave

Leuconoe Basilicata Bianco IGT 2017

Origem: Basilicata, Itália; Preço: R$ 89 na Wines4U 

Um blanc de noirs de Aglianico del Vuture da Basilicata. Quer mais exótico que isso? Não deve ter por aí, embora o exotismo pare no conceito. Na prática, os aromas são deliciosos e cítricos e, na boca, há muita vivacidade. É um vinho orgânico sem certificação (muitos dos produtores não se dão ao trabalho...) que vai muito bem com crustáceos. 

Leuconoe Basilicata Bianco IGT 2017

Leuconoe Basilicata Bianco IGT 2017 Foto: Wines4U

Astral Biodinâmico Brut 

Origem: Serra Gaúcha, Brasil; Preço: R$ 89 na Vinhos e Vinho

Um espumante brasileiro com certificação orgânica e feito de acordo com os preceitos do biodinamismo, produzido pela Cooperativa Garibaldi, com 70% de Chardonnay e 30% de Pinot Noir da Serra Gaúcha, que ficam em contato com as lias por 12 meses. É leve e cítrico e muito festivo, perfeito para o brunch – com apenas 12% de gradação alcoólica. 

Astral Biodinâmico Brut 

Astral Biodinâmico Brut  Foto: Vinhos e Vinho

MTB - Mike Tango Bravo 2012

Origem: Mendoza, Argentina; Preço: 167 na Winerie

Eis um orgânico para impressionar. Trata-se de um corte de 55% de Malbec, 35% de Petit Verdot e 10% de Cabernet Sauvignon em que 20% vão para barricas com dois anos de uso. O resultado é um vinho superequilibrado, potente, que vai bem com um cordeiro assado. Além de tudo é natural, criado por um norte-americano loucão que achou em Mendoza os vinhedos perfeitos para o projeto de sua vida.

MTB - Mike Tango Bravo 2012

MTB - Mike Tango Bravo 2012 Foto: Winerie

 

Cachaças orgânicas

Já há abundante oferta de cachaças com certificação orgânica no mercado. Algumas marcas tradicionais levam o selo, como a Anísio Santiago e a Havana, produzidas em Salinas (MG). A premiada Weber Haus (RS) tem nas versões prata e envelhecida em carvalho. Já a Serra das Almas (BA) foi a primeira a receber o certificado no Brasil. Até a Ypióca (CE) lançou a versão orgânica. Outra que merece destaque é a Sanhaçu (PE), primeiro alambique operado através de energia solar. 

Cachaça Anisio Santiago 

Cachaça Anisio Santiago  Foto: Anísio Santiago

 

Gins orgânicos 

Depois da explosão do gim nacional, há dois anos, já é possível encontrar duas opções orgânicas do destilado produzido a partir da infusão de zimbro e botânicos que virou febre. O Vitória Régia (R$ 78,99, no mundoverde.com.br) é o primeiro gim orgânico certificado do Brasil, produzido a partir de cana-de-açúcar orgânica e é composto por cinco botânicos: zimbro, coentro, cardamomo, limão e pimenta-da-jamaica.

Já a destilaria Weber Haus vende seu gim orgânico em duas versões, o London Dry WH 48 Lote Especial (R$ 169,90 no baccos.com.br), que passa por Amburana, e o London Dry WH 48 (R$ 146, no extra.com.br) tradicional, ambos com infusão de erva-mate e gengibre. 

Gim Vitória Régia

Gim Vitória Régia Foto: Gabriela Biló/Estadão

 

Cervejas orgânicas

Entre as cervejas, a SteinHaus (R$ 18,50, 500 ml, no raiznativa.com.br) é umas das pioneiras por aqui. Sediada no Rio Grande do Sul, utiliza como matéria-prima apenas grãos de produção orgânica, cultivados por agricultores familiares da Serra Gaúcha. Tem em vários estilos, como blond ale, pilsen e IPA. O grupo Schincariol chegou a lançar em 2004 a Eisenbahn Natural, uma pilsen orgânica, mas saiu do mercado. 

Cerveja SteinHaus 

Cerveja SteinHaus  Foto: Steinhaus

 

Vodca orgânica

A Tiiv (R$ 69, na Casa Santa Luzia) é a primeira vodca orgânica do Brasil e, por enquanto, a única. Ela é produzida em pequenos lotes na cidade de Taquaritinga, interior do estado de São Paulo, a partir de álcool neutro da cana-de-açúcar orgânica.

Vodca TiiV

Vodca TiiV Foto: Felipe Rau/Estadão

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