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Vinhos de Chuva

Por Danilo Nakamura

06 junho 2009 | 20:24 por oliviafraga

Quem bebe os vinhos de Marco Danielle fica no mínimo chocado. Defensor da identidade do vinho brasileiro (buscada aqui, e não espelhada em outros países), o viticultor da linha Tormentas apresentou seus vinhos de garagem (de chuva, de Belle Époque, ou de vários outros nomes que ele faz questão de chamá-los) e surpreendeu. Ele explica que o clima da região vinícola mais tradicional no Brasil e única com denominação de origem, parece mais com o Loire que com Chile e Argentina. Defende este partido pluviométrico para sua produção.

Seus vinhos apontam para uma linha de assinatura, quase totalmente orgânicos (sem reivindicar o selo, porém) e sem madeira, com exceção do belíssimo Pinot Noir, que encantou os presentes nas suas duas degustações, durante o Paladar-Cozinha do Brasil. Para exemplificar os métodos naturais, ele fez uma degustação paralela, com um iogurte natural (produzido no dia anterior em seu quarto de hotel) e um rótulo tradicional de iogurte de supermercado, mostrando a evidente uniformidade e unidimensionalidade dos produtos vindos de leveduras industrializadas.

No último ano, porém, Danielle lançou seu Prelúdio 2007, com produção de 19 mil garrafas, seu rótulo “comercial”. O cuidado com o vinho é o mesmo que com os de baixa produção, desta vez com uvas de seu primeiro vinhedo próprio, em Encruzilhada do Sul.

Ficou com água na boca?