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Bebida

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Visualistas versus aromistas

Por Marcel Miwa

12 março 2014 | 22:12 por redacaopaladar

A polêmica da flute ainda está longe de seu desfecho. Na realidade, cada taça pode ressaltar ou esconder uma característica especial do espumante e essa discussão vai longe. Alguns modelos ressaltam o aspecto visual da bebida – a cor, a perlage (as bolinhas), outros favorecem os aromas. E há taças concebidas para marcar tendência, independentemente do impacto do modelo sobre a bebida.

O enólogo Adolfo Lona diz que a apreciação do espumante começa pela visão e por isso, defende a flute. “O perlage é o que separa os espumantes dos vinhos tranquilos, por isso a flute é insuperável”, diz. Para ele, servir espumante na taça de vinho branco, além de matar o visual acelera a perda do gás e esquenta a bebida. O que é péssimo.

ILUSTRAÇÃO: Daniel Almeida/Estadão

O atual campeão brasileiro de sommellerie, Diego Arrebola, argumenta que champanhe e espumantes devem ser tratados como qualquer vinho. “Da mesma forma que os vinhos tranquilos, os bons espumantes ganham maior expressão aromática com um pouco de oxigenação”, diz o sommelier. Ele defende o uso da taça com bojo mais largo e boca mais fechada, como a taça para Chardonnay. Arrebola diz que esse modelo proporciona bom equilíbrio entre expressão de aromas e perlage, sem penalizar a temperatura de serviço.

Num momento como o atual, de desburocratização do serviço do vinho, a taça de espumante pode acabar condenada – e nesse caso, mesmo com todo interesse em desenvolver mais modelos de taças e decanters, o tiro de Maximilian Riedel pode sair pela culatra se o mundo concluir que a taça de branco pode cumprir bem a função de servir vinhos espumantes.

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>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 13/3/2014

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