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Zimbro gim trio

Quatro gins provados às cegas. Só três deles têm o necessário toque de zimbro no sabor

13 julho 2011 | 20:48 por Luiz Horta

Os Espíritos de Glupt!

Não, você não exagerou nos martínis e gins-tônicas. São mesmo quatro garrafas de gim nas fotos, mas só três deles têm o necessário toque de zimbro no sabor, especiaria fundamental para os apreciadores da bebida. O Bombay é a exceção. Mais parecido com vodca, resulta em drinques pouco expressivos.

A prova dos gins, feita às cegas, confirmou as suspeitas: a falta de zimbro ou o acréscimo de outras perfumarias descaracteriza a bebida e desencanta o mais clássico e polêmico dos coquetéis, o dry martíni. Polêmico por ter tantas receitas quanto bebedores.

Angus Winchester, embaixador da marca Tanqueray e consultor de bares, executou o seu, dito "perfeito". Mas ele mesmo disse (e estava uma delícia a fórmula, com três gotas exatas de vermute): "Este é o dry perfeito segundo o Winchester de hoje. Amanhã sairá levemente diferente, pela temperatura, clima, latitude e longitude em que eu o prepare".

Apesar de nascido, provavelmente, na Holanda, e por aceitar parentesco com coisas tão variadas quanto Steinhäger, o gim inglês é o melhor. E o Tanqueray, o melhor no quesito quantidade exata de sabor e aroma de zimbro. A empresa consome, importadas da Ásia, toneladas de grãos de junípero.

Oito especialistas selecionam as amostras, algo tão rigoroso que lembra a triagem de café e dos melhores chás de Darjeeling. E o saboroso Hendrick’s, por que não está aqui? Com sua aromatização usando pepino e rosas, corre em outro trilho.

007 e o falso Martini

"Moro a 10 mil metros de altura", foi a apresentação de Angus Winchester, na nossa troca de cartões. "Viajo o tempo todo." E de fato ele passou dois dias em São Paulo, respondeu de Nova York a meu primeiro e-mail com perguntas e, logo em seguida, de Tóquio.

Seu repertório de histórias pitorescas é infindável. Como a do telefonema que recebeu de uma bartender de Las Vegas: "Um cliente me pediu o mais seco dry possível". Ele mandou que ela colocasse o celular sobre a taça cheia de puro gim, sussurrou de Londres a palavra vermute e desligou.

Defende que o escritor Ian Fleming, criador do personagem 007, nunca colocou nas suas mãos um martíni de vodca batido, e sim o clássico mexido e com gim. O estilo James Bond heterodoxo teria sido criado pelo cinema (coisa que não consegui verificar).

Angus é capaz de malabarismos de barman, apesar de formado em Oxford. Comprador de antiguidades no e-bay, preparou para o Glupt! um cardinal, um negroni e um dry, usando conta-gotas de que só há dois exemplares conhecidos e colher feita sob medida por artesão japonês. O dry classificou de muito bom, mas "perfeito, nunca; é a busca do Graal".

Ficou com água na boca?