Paladar

Comida

Comida

Nhac!

Neide Rigo

Aberta a temporada de forrageio

Forrage, em inglês, significa sair por aí catando coisas comestíveis

13 novembro 2013 | 14:48 por Neide Rigo

Todo mundo conhece o vigor com que plantas despontam com a chegada das águas. Particularmente são as ervas espontâneas e comestíveis que me fazem forragear – forrage, em inglês, significa sair por aí catando coisas comestíveis. Junto de outras espécies pouco usuais, essas ervas podem ser agrupadas sob a sigla Pancs, plantas alimentícias não convencionais.

Neste mesmo momento, várias cidades europeias abrem a temporada outonal de coleta de cogumelos. Todos saem com suas cestas de palha, que é para deixar escapar esporos.

A proposta é que, enquanto nossos próprios cogumelos comestíveis não sejam catalogados (já há muitos pesquisadores fazendo isso), possamos ao menos sair por aí com cestas e guias à mão para coletar ervas comestíveis que nascem nas frestas, calçadas e quintais.

FOTO: Robson Fernandjes/Estadão

Ficou com água na boca?

+ RECEITA: Polenta de sarraceno gratinada com ervas espontâneas

Para um reconhecimento seguro, é importante saber o nome científico e universal e consultar guias como os de ervas medicinais e ervas daninhas de Harry Lorenzi e a tese do pesquisador Valdely Ferreira Kinupp (www. 000635324.pdf).

Na Europa e nos EUA há uma infinidade de livros sobre o assunto e, como muitas das nossas ervas espontâneas são exóticas, eles podem ajudar.

Muna-se de cesta, tesoura, guias, amigos e um leve preparo na cozinha para que na chegada todos cozin</CJ>hem. Você também pode arrancar essas plantas com raízes e replantar em casa para comer depois. Mas a graça está em forragear no espaço público como se ele fosse sua floresta.

Tudo que você faria com espinafre fará com quase todas essas ervas, mas aos poucos descobrirá suas particularidades. Vou listar apenas algumas espécies fáceis de encontrar. Fique de olho nos jardins malcuidados, pois elas estarão lá: dente-de-leão (Taraxacum officinale), beldroega (Portulaca oleracea), língua-de-vaca ou major-gomes (Talinum paniculatum), serralha (Sonchus oleraceus) barba-de-falcão (Crepis japonica), mentruz rasteiro (Coronopus didymus), caruru (Amaranthus deflexus e outras espécies), serralhinha (Emilia fosbergii), buva (Conyza bonariensis), alho-de-perdiz (Nothoscordum gracile), tanchagem (Plantago major), picão-preto (Bidens pilosa) e picão-branco (Galinsoga parviflora). Lave bem, cozinhe e nhac!

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 14/11/2013

Ficou com água na boca?