Paladar

Comida

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Assim comia Monteiro Lobato

07 janeiro 2009 | 16:59 por redacaopaladar

Por Cíntia Bertolino

Monteiro Lobato (1882-1942) gostava de comer bem e fazia questão que seus leitores soubessem disso. Os fãs de Pedrinho, Narizinho, Emília e do Visconde de Sabugosa salivam até hoje só de lembrar os bolos, tortas e guloseimas mil criados pela mitológica Tia Nastácia, a cozinheira encantada do Sítio do Picapau Amarelo. Afinal, os bolinhos de polvilho dela foram capazes de amansar até o Minotauro, num famoso episódio das aventuras da turma.

Para aplacar a vontade nostálgica dos leitores do Sítio, sai “À Mesa com Monteiro Lobato” (Senac Editora, R$ 50), de Marcia Camargos e Vladimir Sacchetta, que reúne receitas e historietas curiosas como a diatribe do autor de Urupês contra o afrancesamento exacerbado dos restaurantes da capital paulista.

Usando de uma ironia cortante, ele escreveu: “Adquirimos tanto gout que, por instinto, o nosso organsimo, num diner elegante, repeliria com vomissments incoercibles um plat nomeado à portuguesa, charramente: arroz de forno, leitão assado. É mister que eles venham, embora não mudados de substância, transferidos em marcassin, ou riz ou four à la princesse quelque chose. Só assim as fibras da estesia gustativa nos tremelicam de gozo e dos olhos nos correm lágrimas a Brillat-Savarin”.

Nacionalista ferrenho, Monteiro Lobato já chamava a atenção de seus compatriotas para ingredientes nacionais como a grumixama, uma espécie de cereja nativa ou o içá, tira-gosto muito popular na Vale do Paraíba, feito com as formigas com este nome, para ele, um verdadeiro “caviar”.

Só falta mesmo a mão da Tia Nastácia que costumava dizer : “Receita, dou; mas a questão não está na receita – está no jeitinho de fazer”, respondia a cozinheira sempre que alguém pedia as medidas de suas delícias.

Ficou com água na boca?