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Comida

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Banana, no forno, fica mole

Por Sandro Marques* As crianças ajudando a preparar o crumble (Foto: JB/Neto)

31 julho 2011 | 12:05 por janainafidalgo

Com um sorriso ao qual já falta um dente, e uma cara de cientista que acaba de fazer descoberta importante, esta foi a conclusão da Lívia, 5 anos, ao participar da aula especial para crianças no Paladar – Cozinha do Brasil. Betty Kövesi e Gabriela Martinoli conduziram as crianças na elaboração de um crumble de bananas. E o melhor de tudo, foi que eu, que estava apenas de acompanhante, acabei também aprendendo um pouco.

A Lívia, desde pequena, nos acompanha a restaurantes. Há cerca de dois meses atrás, brincava “distraída” enquanto eu e sua mãe conversávamos, quando de repente soltou a seguinte frase: “Por que não existe menu de gustação (sic) para crianças?”

Liguei para um amigo chef, combinamos um jantar em que ele serviu o menu-degustação convencional para nós, e fez um especial para a Lívia. Ela se comportou como uma lady, mais de uma hora à mesa, comeu todos os pratos, quis visitar a adega e a cozinha e saiu da lá feliz, sacando que aquela era uma ocasião importante. Eu, por minha vez, sentei ao computador, comecei a descrever a experiência para colocar no meu blog… e parei no primeiro parágrafo.

Achei que podia parecer pedante. Não queria, de jeito nenhum, que fôssemos, eu ou ela, rotulados como gourmet, foodie, gastrochato ou qualquer outro termo que indicasse um falso luxo na relação com a comida. Preferi deixar aquilo como uma experiência íntima de família.

Levei minha filha ao restaurante, e também à aula do Paladar, pelos mesmos motivos que a levo para cozinha cotidianamente.

Porque num modelo de vida metropolitano, como o de São Paulo, há poucas oportunidades de se ensinar a uma criança que o mundo não é automático. Que comida não nasce na prateleira do mercado. Que não há botão que faça um pão crescer. De que pode haver valor e intencionalidade ao se preparar um prato. De que se pode manifestar amor para uma pessoa, fazendo com as próprias mãos, algo que a alimente.

Mas eu que me orgulhava de ensiná-la nomes de legumes, temperos e utensílios, aprendi com a Betty e a Gabriela uma didática particular do passo a passo de um prato. Experimente o primeiro ingrediente. Experimente agora o primeiro combinado com o segundo. Descreva a diferença entre um outro, e assim por diante. Entre reconhecer os tipos de banana e retirá-las cheirosas do forno, há um processo de transformação, conduzido pelo cozinheiro, que é o que traz o orgulho da realização.

Banana no forno, sim, fica mole. Meu coração também fica quando, ao despertar bem cedo nos domingos, a Lívia sugere fazer um bolo de fubá para “acordar a mamãe com bolo quentinho”. Fui dessa aula direto para a sessão em que Roberto Smeraldi e José Barattino apresentaram 10 hipóteses sobre o futuro da alimentação no Brasil. E aproveito agora para acrescentar a décima primeira: é de pequenino que se torce o pepino.

* Sandro Marques foi um dos jurados do último Prêmio Paladar e escreve no blog Um litro de Letras

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