Paladar

Comida

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Bife + shoyu

Por Aryane Cararo

04 janeiro 2011 | 08:00 por redacaopaladar

O shoyu já me salvou algumas vezes. Não só com peixes, mas no preparo de carne vermelha. Só que nunca tinha o usado de forma ordenada. Era sempre uma experimentação com o bife já na panela. Desta vez, queria fazer tudo certinho. Então procurei na web uma receita que não dependesse dos meus instintos. Só não esperava que fosse depender de tempo: todas indicavam que o filé deveria ficar de molho no shoyu por uma hora, na geladeira, e na melhor das hipóteses, 20 minutos de um lado e mais 20 do outro. Eu não tinha esse tempo todo: em 40 minutos, o monstro do lago gástrico já estaria muito nervoso.

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Estava perdendo as esperanças quando encontrei a Priscila (abençoada seja!). Ela é blogueira e, pelo visto, também não tem esse tempo todo. Logo no começo, anunciava: “Bife pra já, para aquele dia que não dá tempo de esperar pegar gosto. Prático, funciona e delicioso!”. Quer cartaz melhor que esse? Manda embrulhar que vou levar dois! Com vocês:

 

Bife acebolado ao molho shoyo*

Ficou com água na boca?

- bifes de sua preferencia – estes são coxão mole, limpinhos, passados na máquina do açougueiro

- 3 dentes de alho grandes amassados

- pimenta-do-reino (bife pede esta pimenta)

- molho shoyo a olho

- bifeira de sua preferencia (eu uso a panela de pressão teflonada, alta, o fogão continua limpo depois do preparo)

- fiozinho de óleo

- 2 cebolas em rodelas

Bife as pressas – Esfregue os bifes com alho amassado e molhe com Shoyo a olho, salpique 1 pimentinha do reino. Aguarde 10 minutos no máximo. Que Shoyo é salgado, para não sorar o sabor da carne…

Esperei só o tempo de cortar as 2 cebolas em rodelas. Menos que 10 minutos…

Na Bifeira de sua preferencia, sele os bifes levantando com o garfo, para escorrer o shoyo, virando só 1 vez. Selados retire da bifeira. Coloque no fundo sujo a cebola, refogue até ela muchar. Então despeje todo o líquido Shoyo, virá com 1 pedaçinhos de alho cru, + 1/2 copo de água, deixe reduzir até secar. A cebola pega o gosto do bife, do shoyo e dá tempo de ficar cozida.Devolva os Bifes para reaquecer junto.

Sirva.

Fonte: Blog Delícias da Priscila 

A receita da Priscila só me obrigou a procurar (na internet, claro, pois decidi que minhas experiências culinárias vão ser conectadas até o último recurso) o significado de outras duas palavras: sorar e selar. Lá, eu descobri que sorar era transformar em soro (continuei sem saber o que Priscila quis dizer) e que selar era algo que eu já fazia (mas não com tanta convicção, pois acabava cutucando o garfo onde eu e ele não éramos chamados). Para quem também não sabe, selar é dourar de um lado, sem mexer na carne, e depois virar do outro para criar aquela “película” protetora dos líquidos suculentos do bife.

Tudo compreendido, martelei os três pedaços grandes de baby beef e esfreguei-os no alho que já compro picado. Adorei ler que era para colocar molho shoyu a “olho” (sempre acabo fazendo isso no fim, é o que chamo de liberdade poética na cozinha), mas confesso que fiquei em dúvida sobre quanto por. Com todas aquelas precauções para não deixar passar de 10 minutos, que me assustaram, apenas salpiquei o molho sobre um dos lados dos filés, a ponto de eles absorverem e não deixarem escorrer o líquido marrom. Por fim, a pimenta sem dó. Segui o conselho e preparei tudo em panela de pressão e, embora a minha não fosse revestida com teflon, não houve problema algum para selar os bifes (basta colocar um fio de óleo no fundo).

Sobre o tempo de molho do bife, confesso que me distraí para cuidar de outras panelas que exigiam atenção imediata no fogão e lá se foram quase 20 minutos. Ficou perfeito! Por isso, não se desespere se passar dos dez minutos regulamentares: não vai levar cartão vermelho. A carne ficou muito boa.

Saldo: uma refeição deliciosa, um jeito de fazer o bife não ficar todo ressecado e duas palavras novas para o meu dicionário gastronômico pessoal.

 *Toda receita será sempre copiada da forma como é apresentada no site, respeitando seus erros e imperfeições.

 

Aryane Cararo é editora do Estadinho, o suplemento infantil do Estadão, e não está no blog errado. Ela conta aqui suas aventuras culinárias com o método que ela batizou de Cozinhando com a Internet. Na prática, ele consiste em correr para a web, digitar os ingredientes que existem na cozinha e torcer para que venha uma boa dica de receita. Depois, é só testá-la, usando criatividade nas adaptações.

Ficou com água na boca?