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Chefs se mobilizam contra projeto de lei que trata agrotóxicos com menos rigor

Cozinheiras como Paola Carosella e Bel Coelho criticam a "PL do Veneno", projeto em andamento na Câmara que regula a fiscalização dos agrotóxicos, que passariam a ser chamados de fitossanitários

23 maio 2018 | 19:43 por Renata Mesquita

Na última semana, chefs e personalidades do meio gastronômico se mobilizaram contra o que ficou conhecido como o “pacote do veneno”: um projeto de lei que está sendo analisado na Câmara e visa flexibilizar as regras de fiscalização e utilização dos agrotóxicos. Até Caetano Veloso apoiou a causa dos cozinheiros, durante show na Virada Cultural, no fim de semana, em São Paulo.

O projeto (PL 6299/2002) – apresentado pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e defendido pela bancada ruralista – é considerado um retrocesso até dentro do governo, pelos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente, pelo Ibama e pela Anvisa, além de ser criticado por entidades como Greenpeace. Pela proposta, entre outras mudanças, o termo agrotóxico deixaria de existir, sendo substituído por “produto fitossanitário”

Ainda falta chão para o projeto virar lei: no momento é analisado por uma comissão especial da Câmara, depois tem de passar pelo plenário e seguir para o Senado. Mas chefs de todo o País já começaram a se movimentar para sensibilizar a sociedade. Entre as maiores críticas está a chef Paola Carosella, que esteve em Brasília no dia 16 para pressionar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pelo andamento do projeto que cria a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, em oposição do “pacote do veneno”.

Apoio. Caetano Veloso e Bel Coelho na Virada Cultural

Apoio. Caetano Veloso e Bel Coelho na Virada Cultural Foto: Tiago QueirozEstadão

No fim de semana, Bel Coelho se juntou a Caetano Veloso no palco da Virada para levantar a bandeira do #chegadeagrotóxicos. Segundo ela, o problema vai além da saúde, pois afeta também o ambiente e os pequenos produtores, que sofrem com a falta de incentivo do governo em oposição às grandes empresas do agronegócio.

Para Mara Salles, o argumento que o agronegócio usa para justificar o uso do agrotóxico – que é o de que eles seriam necessários para conseguirmos alimentar o mundo – é falho. “O homem sempre conseguiu prover alimento à sociedade antes de existirem os agrotóxicos, não dependemos deles, esse papo é balela”, diz.

Todas essas chefs já utilizam nos seus restaurantes (Arturito, Clandestino, Tordesilhas) produtos de pequenos produtores agroecológicos, ou seja, a comida lá não vai estar mais “envenenada” nem após a aprovação da lei. A questão para elas é que com isso se torna ainda maior a desigualdade, com comida boa apenas para quem pode e comida nociva para a maioria. 

O ambientalista Roberto Smeraldi, colunista do Paladar, também critica o projeto de lei: “A norma atual está longe de ser um modelo e, principalmente, de funcionar. Mas essa mudança torna o mecanismo ambíguo e confuso. É preciso clareza e transparência. E seria necessário investir em capacidade de implementação”.

Circula na internet uma petição pela criação do projeto que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos. Para assinar, é só acessar o site chegadeagrotoxicos.org.br

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