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Comida-múndi: projeto colaborativo mapeia gastronomia mundial

Por meio de uma rede de voluntários, o projeto ‘Food: An Atlas’ mapeia a movimentação gastronômica mundial

21 novembro 2012 | 22:01 por Carla Peralva

Ele mora na Califórnia, lugar onde, segundo ele mesmo, dá-se grande importância à produção local de comida. Ele próprio cultiva alguns alimentos em casa, faz parte do comitê de uma organização sem fins lucrativos que quer incentivar a agricultura urbana por toda a Bay Area e até se diz um pequeno ativista da justiça alimentar.

Professor de geografia e cartografia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, nunca adota apenas um livro-texto em suas disciplinas, pois acha que um só autor não consegue dizer tudo que seus estudantes podem aprender. Darin Jensen se descreve como “uma cabeça que está sempre procurando jeitos diferentes de construir coisas”.

E foi dela que surgiu a ideia de fazer um atlas da comida pelo mundo totalmente colaborativo. O projeto Food: An Atlas vem reunindo desde junho mapas sobre movimentos gastronômicos, produção e distribuição de alimentos em diferentes partes do mundo e será lançado em livro ainda neste ano.

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A relação das pessoas com o que elas comem é algo tão particular e, ao mesmo tempo, tão central nas relações sociais que reunir diferentes visões sobre a comida no mundo pode ser um bom jeito de ajudar cada um a entender seu papel nessa grande cadeia, e o da comida na vida de sua sociedade, pensa Jensen.

Com uma antiga aluna, a cartógrafa Molly Roy, recorreu primeiramente à comunidade acadêmica local e depois às redes sociais para formar uma associação de pesquisadores, cartógrafos, designers e amantes de comida em geral que, voluntariamente, criaram mais de cem mapas.

Todo o material coletado foi avaliado e editado por uma equipe de seis especialistas, também voluntários, e reunido em um atlas, que será impresso e disponibilizado para download graças aos US$ 29 mil conseguidos em doações feitas pelo Kickstarter, site que funciona como uma espécie de incubadora de projetos: uma vez lá inscrita, qualquer pessoa que se identificar com a ideia pode abraçá-la fazendo uma doação. No caso do “Food: An Atlas”, a contribuição podia em dinheiro ou na forma de mapa.

O resultado é um livro com aproximadamente 70 mapas de temas tão diversos quanto o comércio global de amêndoas; a cadeia de abastecimento das cervejarias norte-americanas; a proveniência dos ingredientes do mar y montaña, prato tradicional da costa norte da Espanha; e a localização das árvores frutíferas em um bairro do Colorado.

“Essa diferença de escalas vem do fato de esse ser um projeto colaborativo. Algumas pessoas pensam a comida globalmente, outras, localmente. Todos nós nos relacionamos com os alimentos em várias escalas e quisemos explorar esse universo em todas suas dimensões para ver como a cadeia da comida se integra em diferentes escalas”, explica Jensen.

A princípio, 2.500 cópias do atlas serão impressas, mas esse número pode aumentar dependendo de pedidos e doações. Para reservar uma cópia é preciso mandar um e-mail para o endereço  foodanatlas@gmail.com. O livro, que deve começar a ser vendido em 20 de dezembro, custará US$ 25 mais despesas de frete e serviços. Ainda não há previsão para a disponibilidade da versão online.

“Esse projeto vai trazer mais perguntas do que respostas. Espero que ele faça as pessoas pensarem sobre o que comem de jeitos diferentes. E se perguntem onde se encaixam dentro dessa grande cadeia – como cada mapa importa para elas”, diz Jensen.

>> Veja todos os textos publicados na edição de 22/11/12 do ‘Paladar’

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