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Conheça embutidos, méis e cervejas produzidos na Serra da Graciosa

Região do Paraná, que liga Curitiba ao litoral do Estado, tem uma trilha de 28 quilômetros que serpenteia por trechos intactos de Mata Atlântica; os produtos locais merecem ser conhecidos pelo resto do Brasil

09 março 2016 | 20:57 por Jorge Mariano

Especial para o Estado 

Nem só de beleza natural vive a Rota da Graciosa, nos arredores de Curitiba, antiga rota de colonizadoras. Além de uma reserva de Mata Atlântica praticamente intacta, os 28 quilômetros que ligam o litoral paranaense à capital são permeados por delícias artesanais: embutidos, cervejas e meles. Os produtores locais trabalham para criar o Território da Graciosa, jeito de valorizar os produtos elaborados nos arredores de Quatro Barras, Antonina e Morretes, as cidades por onde a Estrada passa.

Ruínas das Estradas usada pelos colonizadores

Ruínas das Estradas usada pelos colonizadores Foto: Jorge Mariano| Estadão

Enchendo linguiça no alto da serra

A pouco mais de 40 km de Curitiba, no município de Quatro Barras, a pequena Salumeria Monte Bello produz embutidos artesanais de receitas estrangeiras com sotaque paranaense: guanciale, lardo, bresaola, pancetta e salsichas. As carnes usadas na produção, vêm de produtores da região e seguem um controle de qualidade rigoroso supervisionado pelo proprietário Marcelo Empinotti, presença diária na fábrica. Ervas e especiarias usadas nas receitas são cultivados ali mesmo, na propriedade. Marcelo trabalha em parceria com a Universidade Federal do Paraná para resgatar uma raça suína autóctone. A ideia é recuperar a raça e criar os suínos que vão fornecer a materia-prima para a produção. O negócio surgiu há 18 anos, quando o pai de Marcelo começou a elaborar alguns embutidos que não encontrava à venda por ali. As salsichas alemãs deram a largada à produção. Mas foram cinco anos até desenvolver as primeiras receitas e técnicas de conservação natural dos produtos. Os produtos são vendidos em lojas de Curitiba e também para alguns restaurantes, inclusive de São Paulo, entre eles Casa do Porco, Ovo e Uva, Tap House e para o bar Cateto.

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Embutidos artesanais produzidos na Salumeria Bello Monte

Embutidos artesanais produzidos na Salumeria Bello Monte Foto: Jorge Mariano| Estadão

SERVIÇO

Salumeria Monte Bello

Visita apenas com agendamento

Tel.: (41) 3107-1030

salumeriamontebello@gmail.com

Av. Dom Pedro II, 6457 - Quatro Barras, PR

Cerveja com mel, banana, jabuticaba

Quando ainda moravam nos Estados Unidos, Mirian Silva e Curt Matherne ganharam de presente um kit cervejeiro – daqueles que usam panelas, na cozinha de casa. Curt se animou com a ideia, passou a estudar o assunto e, em pouco tempo, servia apenas sua cerveja nas festas que realizava. De volta ao Brasil, o casal comprou uma pousada em Porto de Cima, em Morretes, no pé da Estrada da Graciosa. Na época, 2007, o movimento das cervejas artesanais ainda era pequeno no Brasil, com poucas opções. A solução foi produzir. “Comecei a usar o que tinha na região”, conta o americano, que cita maracujá, bananas, jabuticaba. A água vem de uma nascente na propriedade. E assim fazem a Crazy Belgian, uma belgian blonde ale, com suco de banana; Maracujá Kölsch, com maracujá nativo e gengibre; Gralha Azul, uma brazilian strong dark ale que leva jabuticaba; e a Bem-te-vi, uma honey blonde ale com casca de limão rosa. Eles ainda aguardam a licença para poder utilizar mel — silvestre e convencional — na elaboração das bebidas. Para beber, é preciso visitar a cervejaria, que funciona na casa do casal, em frente à pousada. Ou com sorte, em algum bar ou restaurante por ali, em quantidades muito pequenas.

Rótulos da microcervejaria Porto de Cima, que usa ingredientes locais

Rótulos da microcervejaria Porto de Cima, que usa ingredientes locais Foto: Jorge Mariano| Estadão

 

SERVIÇO 

Cervejaria Porto de Cima

Visitas à cervejaria são possíveis, mas apenas com agendamento

Tel.: (41) 3462-1807

beer@portodecima.com

Estrada da Graciosa, km 8 - Morretes, PR

 

Potinhos de sabor nativo

O mel pode ser apenas uma consequência, como disse Adenir Calixto, criadora de abelhas nativas sem ferrão sobre o início de sua produção. Mas o fato é que ele impressiona. Ela diz já ter coletado um mel cor de rosa, que deixou muita gente de boca aberta em São Paulo. “O pessoal diz que parece com aquele perfume J’Adore”, conta.Entrou para o ramo por acaso. No dia a dia, ao cuidar das diversas atividades agrícolas e extrativistas da família, encontrava colmeias em troncos caídos e as levava para casa. Fascinada pelos pequenos insetos, quando a coleção ficou grande, decidiu fazer um curso de meliponicultura, a criação das abelhas nativas sem ferrão, chamadas de meliponas. Hoje sua produção é referência na criação e preservação dessas abelhas e tem cerca de 15 espécies em sua propriedade, em Quatro Barras. O curioso é que ela diz não apreciar muito o mel, mas por insistência de amigos e pessoas envolvidas no mundo da gastronomia decidiu colher o produto. A produção é bem pequena. Quando muito, as meliponas chegam a dar 500ml de mel por ano. Diferente do mel do gênero apis — denso e com o sabor que todo mundo conhece — os meles das abelhinhas são muito distintos entre si tanto no sabor quanto na textura e na cor e podem ter sabor bem variado.

Mel produzido por abelhas meliponas, na Chácara Três Corações

Mel produzido por abelhas meliponas, na Chácara Três Corações Foto: Adenir| Divulgação

SERVIÇO 

Chácara Três Corações

Visitas apenas com agendamento

Tel.: (41) 9999-2219

Encomendas por telefone ou e-mail: adenir.cpires@gmail.com

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