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Cultive e germine seus brotos em casa

Por Neide Rigo

30 janeiro 2013 | 20:27 por redacaopaladar

Acho que todo mundo já passou pela experiência de observar a germinação de um grão de feijão na escola ou se fingir de broto que se desenrola para a vida numa aula de teatro. Mas pouca gente se aventura a cultivar seus próprios brotos achando que precisa de um arsenal de sprouters e peneiras especiais. Tudo isto pode ser dispensável. Basta estar por perto e ter disposição para o cuidado, que significa apenas deixar os grãos úmidos – nunca secos, nunca encharcados. E ter paciência para esperar.

Embora eu tenha um sprouter, acho mais prático usar outros apetrechos improvisados. Só não uso peças metálicas que enferrujem com o contato com a água. Vale usar peneiras, formas plásticas de queijo, cestinhas vasadas que

vem com frutas (as de phisalis, por exemplo), um vidro coberto com pano, um recipiente plástico que você fura com ponta de ferro quente ou até garrafas de leite também furadas – se você não tem espaço, pode encaixar uma na outra e fazer vários brotos ao mesmo tempo.

Uma jarra de vidro, garrafa de leite cortada e furada, cestinha de frutas, fôrma de queijo, peneira plástica, forminha de hambúrguer e até um secador de talheres. Todos poder ser usados como germinadores ou sprouters. O importante é que os grãos se mantenham úmidos sem água acumulada no recipiente.  FOTOS: Neide Rigo/Arquivo pessoal

+ Pode comer que não é enfeite

+ Faça você mesmo sua micro-horta

Tendo já definido o recipiente, não precisa comprar sementes especiais, a não ser que queira brotos de agrião, rabanetes e outras sementes que você normalmente não teria na sua despensa. É claro que é preferível que sejam orgânicas e de boa procedência, mas pode abusar das variedades: amendoins, grãos de bico, lentilhas, feijões ou outras que você usaria na sua sopa ou na comida do dia a dia, como o feijão preto ou carioquinha. E, se quiser incrementar, experiment girassol, quinua, gergelim, trigo e tantas outras. Os brotos que compramos nos supermercados são feitos com feijão mung, aquele de grãos verdes miúdos, mas outros do mesmo gênero podem ser usados, como por exemplo, o azuki, o manteiguinha, e o fradinho.

Duas garrafas de leite com fundo furado (eu tenho uma agulha de crochê só pra furar – esquento no fogo até ficar com a ponta vermelha e enfio no plástico) e uma meia de nylon nova para cobrir.

Antes de começar, descarte todas as sementes que não estejam perfeitas – quebradas, partidas ao meio ou carunchadas – pois elas vão apodrecer e empestear sua floresta de brotos com cheiro nauseabundo. O ideal também é que se lavem

bem os grãos e os deixem de molho numa solução desinfetante de verduras,  principalmente se vai comer depois os brotos crus – é que, durante o tempo de germinação, se a temperatura subir e as sementes já estavam contaminadas,

pode haver crescimento de microorganismos não desejados como a salmonela, por exemplo. Use na concentração indicada pelo rótulo do produto para desinfecção de verduras.

Depois, basta escorrer bem, enxaguar, jogar a água fora e cobrir os grãos com outra água limpa. Há tabelas de tempo mínimo de demolho para cada grão, mas um pouco a mais não faz mal, então, para não se preocupar com isto, deixe sempre por volta de 8 horas ou até que os grãos estejam bem hidratados, o que significa que estarão inchados.

Meias novas de nylon servem para cobrir e também para escorrer.

Jogue a água de demolho fora (ou use para regar plantas) e escorra bem. De agora em diante é que pode haver mil maneiras de improvisar. O que tem que fazer é manter os grãos sempre úmidos, em local sombreado e arejado e protegidos para que não sejam visitados por moscas. O ideal é que pelo menos três vezes por dia eles sejam imersos em água e bem escorridos. Eu faço isto sempre que passo pela cozinha e me lembro deles. Você pode também usar um pulverizador ou enxaguá-los direto sob água corrente. Eu prefiro enxaguar em água de imersão, assim vou separando os grãos que não brotaram ou os que começam a apodrecer.

Um germinador, sprouter ou sprout maker, nada mais é que um recipiente com furos para que se possa enxaguar e escorrer bem a água mais facilmente. Mas se você colocar as sementes num vidro e, sempre que enxaguar, escorrer bem

numa peneira e depois devolver ao vidro, também vai conseguir bons brotos. Para facilitar a operação, a de escorrer e proteger, pode colocar na boca do vidro um paninho de gaze amarrado com elástico ou uma meia de nylon nova,

daquelas curtas. Aliás, você pode colocar os grãos úmidos dentro da própria meia e pendurar. Na hora de umedecer, é só mergulhar a meia na água e pendurá-la.

Aqui, lentilha, feijão-mungo, feijão carioquinha, trigo, amendoim – colocados para germinar em tempos diferentes, por isto alguns já estão prontos, outros, não. E em recipientes diferentes.

O tempo de germinação vai variar de acordo com as sementes, mas assim que começar a surgir um pedaço da raiz, os brotos já podem ser consumidos – e por vários dias consecutivos, desde que os brotos ainda estejam tenros, as

raízes brancas e as folhas verdes. Com o passar do tempo, as raízes começam a escurecer e as folhas começam a amarelar. Para parar o crescimento, os brotos podem ser embalados em recipientes plásticos e mantidos na geladeira por cerca de três dias.

As formas de uso são diversas. Há alguns que vão bem em saladas, há quem prefira comer brotos em sucos (eu não aprecio destruir a forma liquidificando-os). O fato é que podem ser usados como legumes – em caris, sopas, tortas, refogados de legumes, com carne, bolinhos, fritadas etc -, são nutritivos, pouco calóricos, lindos e deliciosos.

Veja vários posts sobre brotos no meu blog, o Come-se. É só procurar na caixa de busca.

>> Veja todos os textos publicados na edição de 31/1/13 do ‘Paladar’

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