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Cultivo do molusco exige paciência de pescador

Cultivo de vieira em Picinguaba (Demian Takahashi/Divulgação)

28 junho 2012 | 08:01 por lucineianunes

Por Anna Angotti e Demian Takahashi

ESPECIAL PARA O ESTADO

A vieira cultivada nas fazendas marinhas brasileiras é da espécie Nodipecten nodosus, nativa do nosso litoral. Sua reprodução natural é lenta e as fazendas marinhas dependem de exemplares cultivados em laboratório. As matrizes são mantidas no mar e levadas ao laboratório em terra para desovar. As larvas passam por uma metamorfose e adquirem a forma da concha que conhecemos, só que minúsculas, até 10 mm. São as sementes.

A Nodipecten nodosus precisa de 12 a 18 meses para alcançar tamanho comercial. Água limpa entre 20°C e 26°C e um fluxo constante de nutrientes no mar são essenciais para o sucesso do cultivo. Os moluscos são separados por tamanho e mantidos em lanternas, estruturas tubulares divididas em andares. Em Picinguaba, todo o manuseio é feito no mar, a bordo de uma balsa vinda do Chile. A tamizadora (mesa vibratória com furos de diversos tamanhos) acelera a seleção por tamanho. “Depois de dois anos, em janeiro chegamos a 5 mil dúzias de vieiras prontas para a primeira comercialização, e mais 12 mil dúzias em várias fases de crescimento, garantindo fornecimento para este ano e 2013”, diz André Bergamo, coordenador do Projeto Vieiras, que implantou o cultivo em Picinguaba.

Nesse meio tempo, a rotina dos ex-pescadores envolvidos no projeto mudou: em vez de dinheiro na mão depois de dias e mais dias no mar, foi preciso esperar as vieiras ganharem tamanho. Um trabalho que precisa de mais do que paciência de pescador para colher os frutos. Agora é torcer para que a logística de entrega melhore e as vieiras frescas cheguem à cidade.

 

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