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Comida

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Da revolução à globalização

Conhecida há 8 mil anos na América, a batata (Solanum tuberosum) foi levada para a Europa – do Peru ou da Colômbia –, por volta de 1570. Foi o pontapé inicial da globalização do tubérculo que se tornou um dos alimentos mais cultivados no planeta. Mas a batata não caiu no gosto do povo tão rápido. As primeiras a cruzar o Atlântico eram pequenas, amargas, aguadas. Eram de uma variedade que não se dava muito bem com latitudes mais altas, diz Alan Davidson em The Oxford Companion to Food.

27 março 2013 | 22:01 por joseorenstein

No Velho Continente a batata foi temida por muito tempo por causa da solanina (um componente tóxico) até que fosse domesticada e cultivada, inicialmente na Holanda. Na Prússia e na Suécia decretos reais ordenavam a plantação do vegetal. Os europeus só se renderam a ela quando não tinham mais o que comer nas guerras do século 18: o tubérculo escapava da vista dos soldados inimigos que pilhavam tudo o que crescia à vista.

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Batatas das variedades Asterix, Ágata, Caesar e Bolinha. FOTO: Felipe Rau/Estadão

Na França, onde hoje é onipresente à mesa, ela só se popularizou de fato quando foi aceita pela corte. O oficial do Exército Antoine-Auguste Parmentier, depois de conhecer a batata na prisão prussiana (ele fora detido na Guerra dos Sete Anos – 1756 a 1763), levou-a ao rei Luís 16 e convenceu Maria Antonieta a se enfeitar com flores de batata no vestido. Em 1793, na França revolucionária, rolava a cabeça do rei – e o jardim real das Tulherias tornava-se um batatal.

Do século 19 para cá, o vegetal americano ganhou enfim o mundo. Em The Untold History of the Potato, o historiador inglês John Reader justifica o sucesso do que ele chama de superalimento: “As batatas crescem na altitude do Mont Blanc ou ao nível do mar. Sobrevivem em terras áridas, florescem em nortes glaciais e crescem, selvagens, na floresta tropical”. Viva a batata.

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