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De onde sobra, para onde falta

Três grupos paulistanos ligados à alimentação trabalham em benefício do próximo – e você também pode ajudar

19 dezembro 2012 | 23:05 por lucineianunes

Aproveite o espírito natalino para fazer uma boa ação. Não sabe como fazer? Doe R$ 9 à ONG Banco de Alimentos, compre os produtos da Gastromotiva ou coma em um dos restaurantes que fazem parte do programa Satisfeito. As três organizações paulistanas desenvolvem trabalhos sérios em benefício do próximo e você também pode ajudar (veja ao lado).

Fundada em 1998 pela economista Luciana Chinaglia Quintão, a ONG Banco de Alimentos faz o que chama de colheita urbana. “A gente arrecada comida onde sobra e entrega onde falta”, diz Luciana. Diariamente, os caminhões refrigerados da ONG percorrem a cidade, recolhendo sobras de alimentos próprios para o consumo – principalmente em hortifrútis, supermercados, mercados municipais, indústrias alimentícias e produtores rurais – e distribui para instituições filantrópicas. “Recolhemos mais de 40 toneladas de alimentos por mês e conseguimos alimentar 22 mil pessoas por dia. Somente em 2012, a ONG doou mais de 4 milhões de pratos de comida”, conta Luciana, que está disposta a ajudar aqueles que quiserem realizar um trabalho semelhante em outros Estados.

Depois de viajar, formar-se em gastronomia no Brasil e trabalhar em cozinhas, David Hertz só encontrou sentido no que fazia ao criar o projeto Cozinheiro Cidadão, em 2004, na favela do Jaguaré. O projeto cresceu e há seis anos Hertz comanda a Oscip Gastromotiva, que qualifica pessoas de baixa renda com o curso profissionalizante em cozinha e salão. Mais do que isso, dá ferramentas para que as pessoas transformem a própria vida, com novos valores e compromisso sustentável. A Gastromotiva já formou 350 aprendizes. Em 2013,o projeto de Hertz chega ao Rio de Janeiro.

Outra boa ação para terminar 2012 e começar 2013 é “adotar” o prato Satisfeito nos restaurantes que participam do novo programa, que visa combater a fome e evitar o desperdício. É simples: o prato Satisfeito vem com 2/3 da porção e o valor economizado é doado para alimentar crianças no mundo todo. Idealizado pelo vice-presidente do Instituto Alana, Marcos Nisti, com coautoria de Paulo Kress, do Grupo Egeu, já tem a adesão de mais de 30 restaurantes em São Paulo, como Jun Sakamoto e Italy. “Na primeira semana, o Girarrosto vendeu 600 porções Satisfeito”, comemora Kress. “Cada prato pedido gera 4 pratos às crianças”, explica Nisti.

POR UMA BOA CAUSA

Satisfeito

A única maneira de se envolver nesse movimento de combate à fome de crianças e ao desperdício de alimentos é ir aos restaurantes que fazem parte do programa e escolher no cardápio um prato Satisfeito, que é servido com 2/3 da porção e custa o valor integral. O que o restaurante economizar com 1/3 será doado a diferentes organizações. Mais de 30 casas em São Paulo querem fazer parte do projeto e algumas já estão servindo o prato Satisfeito. Veja no site a relação de restaurantes, visite quantos puder e indique aos amigos. E sugira ao seu restaurante preferido que abrace a iniciativa.

David Hertz. Chef e empreendedor social. FOTO: Heloisa Mello/Divulgação

Gastromotiva

O curso profissionalizante em cozinha e salão capacita jovens de baixa renda, entre 18 e 35 anos, para trabalhar como auxiliar de cozinha ou empreender o próprio negócio.

A associação recebe, em média, mais de mil inscrições por curso com 50 vagas. A Gastromotiva sobrevive com a ajuda financeira de empresas, restaurantes e bufês parceiros. Quer ajudar? Faça uma doação em dinheiro, ou compre produtos feitos por eles, como geleias e sais, adote um aprendiz ou contrate as palestras e aulas de David Hertz e equipe.

Gourmet. Livro com boas receitas e renda revertida ao ‘Banco’. FOTO: Divulgação

Banco de Alimentos

“Em São Paulo, 60% do lixo é composto de restos de alimentos”, diz Luciana Quintão, idealizadora da ONG Banco de Alimentos, que trabalha para minimizar os efeitos da fome em São Paulo. Uma das formas de ajudar a manter o projeto é doar R$ 9, por mês, que equivale a três refeições básicas durante um mês (R$ 108, em um ano). Escolas e empresas podem contratar palestras. Também é possível ser um voluntário, doar os créditos da Nota Fiscal Paulista e comprar os produtos à venda no site, como camisetas e livros de receitas.

>> Veja todos os textos publicados na edição de 20/12/12 do ‘Paladar’

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