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De tão nonsense, falsas receitas viram livro cult

Por Rafael Tonon

18 março 2015 | 16:48 por redacaopaladar

O cenário foi o Prospect Park, no Brooklyn, NY. O evento era o festival de gastronomia e música The Great Googa Moonga. O ano, 2012. Quase 100 mil pessoas estavam ali em torno de barracas de chefs. Três comediantes resolveram fazer piada com a forma que esses chefs descreviam suas receitas. A piada circulou na forma de cardápio de um falso restaurante, o Fuds.

O menu virou viral e fez a fama do Fuds, que nunca existiu. “Era uma brincadeira. Trocávamos mensagens de textos com nomes de pratos absurdos. O Arthur resolveu transformar a ideia em um menu inteiro”, conta Kelly Hudson.

Fuds: A complete encyclofoodia from tickling shrimp to not dying in a restaurant

Autores: Kelly Hudson, Dan Klein e Arthur Meyer

Editora: Bloomsbury USA (176 págs. US$ 15)

A brincadeira cresceu e o trio acaba de publicar um livro detalhando as receitas do Fuds. Lançado no fim de fevereiro nos EUA, Fuds: A Complete Encyclofoodia From Tickling Shrimp to Not Dying in a Restaurant (Fuds: a encyclofoodia completa, de como fazer cócegas em camarões a como não morrer em um restaurante, em tradução livre) tem prefácio de Mario Batali, que entrou na brincadeira. “Eu não estou escrevendo esse texto pela exposição. Eu sou o porra do Mario Batali. Bermuda. Crocs. Rabo de cavalo loiro. Você já sabe quem eu sou. Eu não preciso desse livrinho fedido.” Mas a verdade é que o fato de ter um chef como ele escrevendo o prefácio mostra que a piada foi longe. Kelly Hudson falou ao Paladar por e-mail.

Você arrisca uma explicação de por que os menus de restaurantes ficaram tão pretensiosos?

Acho que tem a ver com tédio. Ele explica nossa obsessão por pequenas coisas. Viramos seres obcecados. Por outro lado, estivemos em muitos restaurantes que, por exemplo, imprimem menus cheios de erros de digitação hilariantes e aparentemente intencionais, que buscam o humor. Menus foram sempre feitos de diversão.

Menus incompreensíveis são cada vez mais comuns. O que acha deles?

Eu gosto deles, porque gosto de experimentar coisas novas e não tenho vergonha de fazer perguntas. Mas entendo como isso pode intimidar as pessoas. Essa pretensão dos menus é o tipo de coisa que pede para ser colocada em perspectiva com a comédia.

Nova York é uma das cidades com mais restaurantes no mundo. Esses menus mirabolantes são uma busca por destaque no meio do excesso de competição?

Enquanto ninguém se machucar no processo, um ambiente competitivo é saudável para qualquer comunidade artística, inclusive a gastronômica. Porém, esse tipo de excesso parece ser um sinal de uma nação entediada e glutona.

Como surgiu o convite para o Mario Batali fazer o prefácio?

Foi quase uma piada. Nós não esperávamos que ele fosse topar. Ele é um dos primeiros nomes que vêm à cabeça quando se pensa num chef famoso.

Quais são os planos futuros para o Fuds?

A resposta óbvia é a de abrir um restaurante real, mas isso seria ridículo. Mas, em seguida, pensamos: o Fuds é ridículo, então não duvido que isso venha a acontecer.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 19/3/2015

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