Paladar

Comida

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Doçura de infinitas possibilidades

30 junho 2012 | 16:29 por redacaopaladar

Por Paula Moura

Quem acha que abelha é um bicho amarelo e preto, com ferrão e que faz o mel, acertou e… errou. A abelha que faz parte do nosso imaginário pertence a uma minoria na espécie, trazida pela primeira vez por portugueses na época da colonização. São só oito tipos dela, a chamada Apis Mellifera. Já as abelhas nativas das Américas somam cerca de 500 tipos, 250 só no Brasil. A boa notícia é que, além de não terem ferrão – ufa! -, elas ampliam as variedades e sabores de mel imensamente.

O ecólogo Jerônimo Villas Boas, em sua palestra “Mel de abelhas nativas”, trouxe cinco tipos de mel para serem degustados. Um deles é o mel da abelha tapeuá, produzido no Parque Indígena do Xingu. Escuro e bastante ácido, tem um sabor exótico e complexo que reflete a flora da região. Clarinho, quase transparente, o mel Jandaíra é ácido, mas suave.

Os méis das abelhas nativas são menos concentrados do que os das abelhas Apis. Por isso, são mais suscetíveis à fermentação alcoólica e acética. São menos doce também.

Ficou com água na boca?

Enquanto a Apis produz o mel em favos, as nativas o armazenam separada, ninho separado do pote cera. Os sabores dos méis da Apis dependem da flor para o sabor, como laranjeira, eucalipto, silvestre… No caso das abelhas nativas, tanto as flores quanto suas enzimas que agem sobre o néctar, trazendo uma infinidade de sabores.

A cultura de méis de abelhas nativas ainda enfrenta vários desafios, segundo Villas Boas. Um deles é a escolha do método de beneficiamento: refrigeração, desumidificação, pasteurização, maturação. Por enquanto, eles ainda não podem ser comercializado, pois a meliponicultura não é reconhecida como a apicultura. O ecólogo, que mora na Paraíba e trabalha com comunidades de todo o Brasil, tem buscado reconhecimento para os métodos tradicionais.

 

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