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Comida

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Em busca do peixe gordo

Em uma das madrugadas mais frias do ano, o Ceagesp estava lotado de gente. Os frequentadores pareciam se conhecer, havia um clima de camaradagem no ar, mas não se engane. São negociadores espertos. Enxergam peixe bom à distância e estão todos atrás do pescado perfeito. É bom encontrá-lo antes do seu vizinho…

07 julho 2009 | 12:51 por oliviafraga

São duas horas da manhã e meu guia, o sushiman Koji, do Shundi & Tomodachi, sabe exatamente pelo que procurar. Ele me mostra anchovas e tainhas, namorados, carapaus. Entre pilhas de caixas e engradados repletos de gelo – o lugar parece um frigorífico de proporções dantescas – encontramos um atum azul de se admirar minutos a fio. “Esse tem 90 quilos”, diz Koji, encantado. Um ruído seco meio que nos desperta do torpor. Os peixeiros não param de descer o carregamento. Despencam das caixas camarões, robalos, anchovas, mais atum. Um ao lado do outro, um mais gordo que o outro.

Os peixes graúdos são avaliados pela cor, brilho das escamas e olhos. Alguns já têm destino certo: o comprador só vem buscá-los. Outros são escolhidos na hora. Não há propriamente bancas. Cada peixaria estaciona seu caminhão ao lado do pavilhão elevado onde estamos, e distribui seus peixes sobre engradados à frente. A negociação começa logo em seguida.

Ficou com água na boca?

Em uma fileira da atuns, um pequeno papel sulfite com parte de sua “composição interna” ajuda o comprador a avaliar a quantidade de gordura do peixe. “Eles fazem uma incisão no atum e puxam para cima”, explica Koji. Nessa ‘agulha’ especial é possível ver como está o corpo do peixe por dentro, com todas as camadas de carne e gordura. E Koji sabe: quanto mais gordo, melhor. (fotos: Lilian Uyema – Ceagesp)

Ceagesp: www.ceagesp.gov.br

Shundi & Tomodachi: R. Dr. Mário Ferraz, 402, Jd. Paulistano, tel: (11) 3078-6852

Ficou com água na boca?