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Em novo filme sobre o Natal, toda comida de cena é real

Love the Coopers, filme americano em torno da ceia de Natal, que estreia em São Paulo dia 10 de dezembro, tem uma rara característica: a comida em cena é real. E além disso, atende as restrições alimentares do elenco

25 novembro 2015 | 17:21 por redacaopaladar

Por Daniel Neman

St. Louis Post

No cinema, quase sempre quando você vê um personagem tomando um sorvete, na verdade o ator está lambendo purê de batata. E aquele bolo lindo? É armação de isopor com uma cobertura caprichada.

Love the Coopers, que estreia no Brasil no dia 10 de dezembro, é uma exceção. Neste filme que tem como tema uma grande ceia de Natal em família, toda comida de cena é real. O peru é peru de verdade. Os biscoitinhos são feitos de farinha e açúcar. O cozido de feijão verde é feijão verde cozido mesmo – com um toque gourmet.

Comida de filmes – de cinema, TV e propaganda – é sempre preparada por um food stylist. O profissional tem como função garantir que os pratos tenham a aparência correta, sejam seguros, comestíveis e aguentem firme os longos períodos de gravação. Mas, em Love the Coopers, como o alimento é protagonista na cena, e os atores comem o tempo todo, os produtores do filme insistiram que fosse tudo para valer.

 

 Banquete. A cada dia de filmagem – foram sete espalhados ao longo de três semanas – eram consumidos 15 perus. FOTOS: Reprodução

A produção da comida ficou a cargo da food stylist Melissa McSorley. “A ideia era fazer um jantar de família lindo e acessível, uma ceia que qualquer pessoa comum pudesse fazer”, disse McSorley em entrevista pelo telefone. “A diretora Jessie Nelson (a mesma de Corina, Uma Babá Perfeita) não queria que tivesse cara de comida de banqueteiro”.

Então tem peru, presunto glaceado, purê de batata e cozido de feijão verde. De verdade.

Para mimar os atores que iam passar horas comendo aquela refeição, McSorley deu alguns toques de sofisticação ao cozido de feijão. Ela fritou cuidadosamente anéis de cebola para colocar sobre o ensopado. O truque fez tanto sucesso entre os atores que ela acabou fritando 50 cebolas.

A cena do jantar foi filmada ao longo de sete ou oito dias espalhados por um período de três semanas. Para isso, foi preciso preparar grandes quantidades de comida que os atores comeram repetidas vezes.

Na hora da gravação, como o elenco estava de fato comendo, os pratos tinham de ser reabastecidos constantemente. A cada dia de filmagem foram consumidos 15 perus, marinados e assados para valer.

Assim como se faz quando se cozinha uma ceia de família, a food stylist teve de levar em conta as restrições alimentares de todo o elenco.

“Alguns não comiam laticínios, ou não bebiam álcool, outras amam proteínas. Os atores escolheram o que iam comer da ceia. No elenco, havia vegetarianos, veganos e pessoas que não comem glúten. Por conta das crianças, também reduzimos bastante o uso de açúcar”, conta McSorley.

A estrela do filme, Diane Keaton, é vegetariana. “Mas ela é absolutamente apaixonada por queijos”. Assim, o prato de queijos ficava sempre ao alcance dela na mesa.

Sem açúcar. Para o cachorro, comida real, mas adaptada

O filme inclui uma piada constante sobre o cachorro da família comendo comida de gente. Então McSorley teve de manter as restrições alimentares do cachorro entre suas preocupações também. Ela garantiu que nenhum item que ele comeu tivesse cebola e o manteve distante de cranberries, uvas passas e uvas. E, claro, todos os doces que o cachorro comeu foram feitos sem nenhum grama de açúcar.

Nenhum mimo de cachorro foi misturado ao que o cão comeu: o ator canino bem treinado mastigou tudo aquilo que foi colocado na frente dele. “Ele foi um dos meus maiores fãs no set. E provavelmente comeu mais do que qualquer outro membro do elenco”, diz McSorley, que tem três cachorros.

Para o cinema, Mc Sorley foi também a food stylist do filme Chef (2014), centrado em comida. Mas seus principais trabalhos foram para a TV. Ela assinou a comida de cena da série Mad Men (2007-2015) um trabalho que deu a ela a chance de preparar pratos dos anos 1960 e, por flashback, dos anos 1930 e 1940. Ela conta que os produtores de Mad Men eram obsessivos em ter todos os detalhes do período de maneira correta.

Para ela, a cena que simboliza essa obsessão foi gravada no restaurante Howard Johnson – e, para que as coisas ficassem exatamente como eram nos tempos em que o restaurante funcionava, os produtores encontraram as antigas colheres de sorvete da casa, que tinham um formato particular, com uma pontinha. O problema foi que elas estavam velhas e foi preciso revesti-las com uma nova camada de metal, para que parecessem novas.

No seriado de vampiros True Blood (2008-2014) ela recebeu o que chamou de um treinamento contínuo de como fazer sangue comestível parecer cada vez mais real. Ainda por cima, ela tinha que fazer sangue comestível parecer real sem usar xarope de milho, um dos ingredientes principais, porque muitos atores tinham restrição a esse ingrediente. Uma cena de True Blood exigia uma fruta infestada de larvas. E isso era trabalho de McSorley. Ela usou pinças para posicionar as larvas, que comprou pela internet. “Eles entregam em casa”.

>> Veja a íntegra da edição de 26/11/2015

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