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Guerra dos canudos de plástico envolve restaurantes e consumidores

Matéria-prima e formato dos canudos ameaçam vida marinha e causam danos ambientais

23 maio 2018 | 19:44 por The New York Times

Campanhas online como Stop Sucking e Last Plastic Straw declararam guerra aos canudinhos de plástico. Em algumas cidades dos Estados Unidos, como Seattle e Malibu, na Califórnia, eles estão proibidos. A primeira-ministra inglesa, Theresa May, prometeu proibir sua venda até o fim deste ano. Mc Donald’s do Reino Unido e Mark’s & Spencer também os baniram. A Tetrapak anunciou que vai desenvolver canudos de papel para acompanhar embalagens de suco, achocolatado etc.

Canudos de plástico podem estar com os dias contados

Canudos de plástico podem estar com os dias contados Foto: Getty Images

Embora os canudos sejam uma pequena fração dos plásticos usados uma só vez e descartados, seu tamanho e sua forma ameaçam as aves, tartarugas e a vida marinha, além de causarem outros danos ambientais. 

Em Nova York, o prefeito Bill de Blasio e o governador Andrew Cuomo lideram ataque contra os sacos plásticos (Cuomo aprovou lei recentemente que proíbe seu uso). “Canudos não são uma necessidade, são artigo de luxo que está causando grandes danos ao ambiente e aos animais”, diz Rafael Espinal Jr., autor da lei que, se aprovada, vai banir canudos de plástico em Nova York. Até agora 60 estabelecimentos na cidade já estão “livres de canudos”. Prova de que não são autoridades ou consumidores que vêm conduzindo a mudança e, sim, empresas, que estão buscando alternativas. Na cafeteria Smith Canteen, no Brooklyn, foram colocados à disposição também canudos de papel – e eles esgotaram em uma semana. Na rede indiana Inday, o proprietário Basu Ratnam eliminou canudinhos depois de ler que eles contribuem para a morte das baleias. “Podemos mudar o comportamento do cliente sem provocar agitação”, diz. 

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No caso de alguns estabelecimentos, banir os canudos envolveu também uma questão estética. Nos restaurantes de luxo mexicanos Atla e Cosme, em Manhattan, os canudos agora são de papel ou metal e só fornecidos a pedido do cliente. 

A gerente de bebidas Yana Volfson questiona o ritual nos drinques. “Por que é norma servir todo coquetel com um canudo quando ninguém precisa dele nem pede?”

Muitos estabelecimentos, porém, continuam a usar os canudos de plásticos, mais baratos e duráveis. E até algumas cafeterias que alardeiam suas iniciativas ecológicas relutam em mudar. “Nossos clientes são mais conscientes, ecologicamente falando, mas podem colapsar sem o canudo”, disse Caroline Bell, diretora do Café Grumpy, cadeia que usa lâmpadas LED e cápsulas de café biodegradáveis. Ela afirma que a empresa está estudando alternativas para os canudos de plástico. 

Há quem defenda que a única maneira de tornar os canudos de plástico obsoletos é redesenhar os copos e as tampas.

/Tradução de Terezinha Martino

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