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Hoje é dia de comer romã

Costume aprendido com os portugueses ensina a comer nove grãos de romã no Dia de Reis e guardar três deles na carteira durante o ano todo para atrair fortuna

05 janeiro 2017 | 19:35 por Patrícia Ferraz

Hoje é Dia de Reis e - como aprendemos com os portugueses - dia de comer romã. Símbolo de fartura e fertilidade, a fruta que tem uma coroa no topo entra em cartaz em duas ocasiões no Brasil: a noite de Ano-Novo e o Dia de Reis, 6 de janeiro. Na passagem do ano ela divide espaço com uvas, uvas-passas e frutas secas, todas com a mesma fama de atrair sorte e riqueza. Mas no Dia de Reis, brilha sozinha: para garantir fortuna, deve-se comer nove grãos de romã (coma quantos quiser, a fruta é deliciosa, mas os primeiros nove têm de ser separados). O importante é reservar três grãos, lavar e secar bem, envolver em filme plástico e guardar na carteira durante o ano todo.

Cheia de grãos, a romã é símbolo de fertilidade e riqueza

Cheia de grãos, a romã é símbolo de fertilidade e riqueza Foto: Karsten Moran|NYT

A romã não é uma fruta popular no Brasil. Difícil de achar, é cara e trabalhosa de comer: é preciso desprender os grãos da película que envolve o interior da fruta, primeiro cortando a romã em gomos para poder retirá-los com uma faca afiada ou colher. O trabalho requer uma habilidade que não herdamos de nossos antepassados, como os iranianos, sírios, indianos e habitantes de todo o Oriente Médio, onde a árvore baixinha e que dura centenas de anos  é abundante - a longevidade é outro motivo para seu sucesso no Ano Novo.

Originária do Irã, a Punica granatum já era conhecida pelos egípcios, e na Antiguidade tinha popularidade entre gregos e romanos. A fruta chegou até Índia e China e se espalhou por toda a região mediterrânea. A cultura judaica tem várias referências à romã, entre elas a garantia dada ao povo por Moisés, de que a fruta, que tinha sido deixada para trás, seria encontrada na Terra Prometida. Daí a razão da presença da romã à mesa nas festividades judaicas. A fruta chegou à América com os navegadores espanhóis e no século 18 já era cultivada na Califórnia.

O sabor ímpar, doce, ácido e com um toque levemente adstringente do grão, cuja cor varia do branco translúcido ao vermelho vinho, compensa o trabalho de extração. Mas a romã ainda é coisa rara por aqui - uma pena, pois, além de ser ótima fresca, rende sucos, é a base do grenadine (o xarope concentrado muito usado na coquetelaria), vai bem na confeitaria e muito bem na cozinha salgada (a culinária do Oriente Médio tem dezenas de receitas salgadas com a fruta). No fogo ela perde a graça, então costuma ser adicionada fresca, in natura, aos pratos salgados. As melhores romãs para comer são as do tamanho de uma laranja.

Quer fazer um prato delicioso com romã? Esta salada de grãos é perfeita para os dias quentes. Outras receitas, doces e salgadas, você encotra aqui

Refrescante, a salada leva lentilhas, arroz selvagem, arroz vermelho e romã

Refrescante, a salada leva lentilhas, arroz selvagem, arroz vermelho e romã Foto:  

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