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‘Homus e falafel foram inventados no Líbano’

Por Gustavo Chacra

21 novembro 2012 | 22:00 por redacaopaladar

Correspondente/Nova York

A nouvelle cuisine libanesa é mais do que quibe e esfiha, segundo o ministro do Turismo do Líbano, Fady Abboud, que está no Brasil com quatro chefs de cozinha libaneses. Na terça, o grupo promoverá um jantar na casa do cônsul do Líbano para apresentar a nova cozinha libanesa. Abaixo, trechos da entrevista concedida ao Paladar pelo ministro por telefone de Beirute, antes de embarcar para São Paulo.

LEIA MAIS: Mais do que esfiha e quibe

A culinária libanesa no Brasil é diferente da de Beirute?

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Queremos mostrar a nouvelle cuisine do Líbano. No Brasil, a culinária libanesa ainda é muito concentrada no quibe e na esfiha, que já viraram comidas brasileiras. Os restaurantes em Beirute e outras partes do país são fantásticos e queremos mostrar a variedade dos pratos que os libaneses estão comendo hoje.

Israel afirmou recentemente que homus e falafel são comidas israelenses. Como o sr. vê essa disputa?

É uma batalha que estamos enfrentando e eu sou um dos líderes. Está claro que homus, falafel e tabule não são comidas israelenses. Foram inventados no Líbano e temos provas. São comidas dessa região do mundo árabe, onde conviveram por séculos cristãos, muçulmanos e judeus.

Abboud e o Guiness de maior homus. FOTO: Divulgação

Não é tão fácil encontrar esfiha em Beirute como é em São Paulo. Inclusive, normalmente no Líbano usa-se o nome lahmajeen. Por que a diferença?

Esfiha é do Vale do Beqa (região libanesa de onde vieram muitos imigrantes para o Brasil). Nos últimos anos, muitos libaneses começaram a fazer uma massa mais fina e o lahmajeen se tornou popular em todo o Líbano. Mas tem esfiha também.

Há uma guerra civil na Síria, vizinha do Líbano, e recentemente um carro-bomba explodiu no coração de Ashrafyieh, o sofisticado bairro cristão de Beirute. Como convencer alguém a ir para o Líbano neste momento? Apesar das belezas do país, existe um temor com a segurança.

Líbano e Síria são países diferentes. Beirute é mais segura do que muitas cidades do mundo, incluindo São Paulo. Nova York teve o 11 de Setembro e as pessoas continuam indo lá.

Seu objetivo é atrair para o Líbano apenas descendentes ou todos os brasileiros?

Todos os brasileiros. Muitos jovens descendentes querem retornar às raízes libanesas. Virou moda. Mas todos os brasileiros ficariam entusiasmados em visitar um país cosmopolita como o Líbano, onde mais da metade da população fala três línguas e cristãos e muçulmanos convivem em paz.

>> Veja todos os textos publicados na edição de 22/11/12 do ‘Paladar’

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